A rádio em 2018 (10)
Uma nova rádio para novos ouvintes: O consumo activo por João Paulo Meneses, A partir dos comportamentos e hábitos das novas gerações digitais, é possível enunciar algumas das características dos […]

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Uma nova rádio para novos ouvintes: O consumo activo
por João Paulo Meneses,
A partir dos comportamentos e hábitos das novas gerações digitais, é possível enunciar algumas das características dos novos ouvintes (o consumo activo). Controlam e personalizam: controlo é uma palavra-chave para entender o que se vai passar. É evidente que ter alguém a decidir tudo por nós significava não ter o trabalho e a preocupação de escolher, problema agravado pela abundante desmaterialização da música. Qualquer utilizador dos serviços musicais em consumo activo tem um lote de opções muito maior do que qualquer dos directores de programas profissionais ou mesmo dos que decidem as playlists das principais rádios – profissionais, portanto.
Controlar significa pois controlar também (o excesso d)a escolha, a oferta de conteúdos disponíveis.
O problema existe e não tem uma solução fácil. Se é verdade que a situação de elevada oferta de informação também pode ser vista de forma positiva (existe mais escolha, a custo mais baixo para os consumidores, e mais possibilidades de acesso a canais de comunicação), prevendo-se o aparecimento de formas de corrigir este crescente excesso da oferta, não se pode ignorar que a oferta está a crescer a uma taxa anual constante de 8-10 por cento. Um número cada vez maior de organizações e de indivíduos é capaz de enviar informação a grandes distâncias a custo mais baixo.
Do controlo passámos rapidamente para a personalização, consequência inevitável quando é possível escolher quando e o que se quer ouvir e quando essas escolhas passam a estar sistematizadas num perfil próprio ou em «playlists» pessoais (que, ainda por cima, são dinâmicas e facilmente editáveis), uma espécie de páginas pessoais do consumidor em cada um dos operadores consumidos.
Produzem e partilham: se os consumidores activos criam «playlists» para conseguirem ouvir posteriormente o que querem e para se organizarem melhor no meio da abundância digital, é porque também produzem. E esta é outra característica disruptiva face à tradição mediática (o verdadeiro consumidor activo é aquele que produz).
Como se percebe, quando nos referimos, neste contexto, a produção, não estamos tanto a pensar em «playlists», que na verdade são, como se viu, uma forma de arrumação (de controlar a escolha), mas mais em criar novos conteúdos para serem postos online e partilhados por outros.
Os blogues são o exemplo mais abundante, mas também os «podcasts» feitos à margem do sistema industrial ou os mashups, que basicamente significam construir algo de novo a partir de materiais (músicas, por exemplo) existentes. Os mashups transitaram da realidade hip-hop para a internet e podem ser vistos em sites que vivem dessa produção à margem do sistema comercial, como o YouTube ou o MySpace.
Socializam-se: um dos elementos mais distintivos deste novo consumo activo é a associação directa a redes sociais, onde cada um dos inscritos partilha o seu próprio perfil (e as suas características) com conhecidos e desconhecidos – que muitas vezes, pela identificação de gostos, por exemplo, musicais – passam a conhecidos. Aqui será justo referir o papel dos blogues. O sucesso das redes sociais entronca directamente naquilo que já antes se classificou como a necessidade de partilha que os novos consumidores activos sentem. O que essas redes sociais fazem é – mais uma vez – organizar de uma forma mais ágil (inteligente) perfis (páginas com diversos conteúdos), pondo-os, por exemplo, numa mesma plataforma – como o hi5 – e assim tornando mais fácil passar de desconhecido a conhecido – pela descoberta de pontos de contacto que ao outro parecem interessantes. Nascem assim as redes sociais.
PS – Há outras características, como a interactividade, mas por falta de espaço e de consenso quanto ao conceito de interactividade deixamo-las para outra ocasião.
Jornalista (TSF) e investigador