Por que quer Elon Musk comprar a Open AI?
Com Elon Musk é muito difícil de entender o que o move de facto, mas o equilíbrio entre o uso da IA para o bem ou para algo extremamente perigoso parece ser o tema que já não sairá da ordem do dia

Há menos de dez anos, em dezembro de 2015, a OpenAI era fundada por 11 personalidades da indústria tecnológica, entre as quais o já muito conhecido Elon Musk e também Sam Altman, assumindo os dois a liderança da companhia.
A motivação de todas estas personalidades era que, sendo difícil de imaginar o quanto a inteligência artificial (IA) poderia vir a beneficiar a humanidade, era igualmente difícil de prever a perigosidade do seu desenvolvimento, se não se assegurasse que ele seria realizado na direção correta. A consciência de que este equilíbrio seria sempre frágil marcou desde os primeiros momentos todos os movimentos associados à IA, acompanhada pela certeza do seu imenso potencial.
A OpenAI assumia desde o seu início o objeto de perseguir o bem da humanidade e do seu progresso, e ter esse fim acima da perseguição do lucro. Isso levantava questões na sua capacidade de atrair talento, quando empresas como a Google e a Meta pagavam principescamente aos recursos desta área. Mas o potencial económico alcançado pelas rondas de financiamento que os seus fundadores promoviam, mais a promessa de que o foco na OpenAI não era comercial, pareceu suficiente para se tornar a empresa mais bem sucedida em poucos anos.
Mas apenas três anos depois, em 2018, Musk desentende-se com a restante direção da OpenAI e sai da companhia. Argumentou que tinha conflitos de interesse com os desenvolvimentos em IA que a Tesla perseguia para o seu projeto de condução autónoma de veículos, mas Sam Altman referia que a origem do desentendimento era menos nobre, e que nascia da convicção de Musk que a OpenAI estava a perder a corrida para a Google, DeepMind e Meta, e que só com Musk como CEO poderia garantir a liderança no setor.
Já sem Musk, em 2019, a OpenAI faz um acordo de enorme impacto com a Microsoft. Através dele assume que o lucro poderá ser também um dos objetivos da companhia, aceita uma posição acionista muito forte, embora não maioritária da Microsoft, o que lhe permite ombrear em condições financeiras na procura e retenção de talento humano com os concorrentes e, não menos importante, tem acesso à estrutura da Microsoft Cloud, para todo o esforço computacional que os seus projetos necessitam.
Para a Microsoft, este acordo é um enorme passo na inclusão das soluções de IA nas suas ferramentas, nomeadamente no Bing, na primeira vez em que a pesquisa da Google parece em desvantagem competitiva, mas também em todas as suas ferramentas, desde o navegador Edge, o Outlook, o Excel, e o Powerpoint, até ao Word.
E é agora em 2025, quando esta estratégia parece consolidar-se e após Donald Trump – de quem Elon Musk é tão próximo como nunca se poderia imaginar – decidir um pacote de investimento de 500 mil milhões de dólares para o desenvolvimento de soluções de IA, do qual a OpenAI é uma das grandes beneficiárias, que Musk resolve atacar a OpenAI.
Com uma oferta de 97,4 mil milhões de dólares pela companhia, Elon Musk tenta comprar a OpenAI com intenções que podem variar entre as mais nobres e as mais egoístas, ou um misto de todas elas.
Elon Musk refere que a sua intenção é recolocar a OpenAI no caminho do desenvolvimento da humanidade, e não do lucro, defendendo uma abordagem ‘open source’ que aceleraria o desenvolvimento descentralizado, numa abordagem semelhante à da chinesa DeepSeek que abalou a indústria recentemente ao provar que consegue bons resultados com investimentos mínimos, ao contrário do que todos afirmavam nesta indústria de IA corporativa e que justificava os 500 mil milhões do pacote de Donald Trump.
Mas também parece claro que para Musk e para a xAI, a sua companhia de IA da rede X, ex-Twitter, e para a Tesla, o controlo da OpenAI seria crítico. Também é evidente que estes movimentos atrapalham o dia a dia da OpenAI e só por isso Musk já poderá ter ganhos competitivos.
Com Elon Musk é muito difícil de entender o que o move de facto, e aqui temos apenas mais um exemplo disso, mas o equilíbrio entre o uso da IA para o bem ou para algo extremamente perigoso parece ser o tema que já não sairá da ordem do dia, isso parece claro para todos nós.