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Augusto Fraga – “Deve haver espaço para arriscar e cometer erros”

Realizador dos novos anúncios da Mercedes-Benz e da Coca-Cola, Augusto Fraga regressa à Netflix com a segunda temporada de ‘Rabo de Peixe’. Em entrevista ao M&P, revela o que muda na série, o que o desafia na publicidade e a intenção de fazer ficção nos Estados Unidos

Luis Batista Gonçalves
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Augusto Fraga – “Deve haver espaço para arriscar e cometer erros”

Realizador dos novos anúncios da Mercedes-Benz e da Coca-Cola, Augusto Fraga regressa à Netflix com a segunda temporada de ‘Rabo de Peixe’. Em entrevista ao M&P, revela o que muda na série, o que o desafia na publicidade e a intenção de fazer ficção nos Estados Unidos

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Luis Batista Gonçalves
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Autor de ‘Rabo de Peixe’, série de televisão portuguesa mais vista em Portugal e um dos êxitos comerciais da Netflix em 2023, que estreia a segunda temporada em 2025, Augusto Fraga alia a ficção à publicidade, tendo, nos últimos 20 anos, realizado anúncios em cerca de 50 países.

Em entrevista ao M&P, o realizador e guionista, um dos sócios da produtora audiovisual Krypton e um dos cofundadores do Spectacular Studio, estúdio de escrita e desenvolvimento de conteúdos audiovisuais, fala do impulso que as plataformas de ‘streaming’ estão a dar à produção nacional, esclarece a relação que tem com os anúncios publicitários, revela o que os anunciantes lhe pedem para terem campanhas bem-sucedidas, aborda a utilização da inteligência artificial (IA) nos anúncios e desvenda os projetos que tem em mãos, na ficção e na publicidade.

Neste início de 2025, além da estreia da nova temporada da série ‘Rabo de Peixe’, que outros projetos tem em mãos, na área da publicidade?

Tenho estado a trabalhar fora de Portugal, em Barcelona, a gravar a nova campanha internacional da Coca-Cola. Depois, vou estar disponível para trabalhar com a produtora Krypton, da qual sou sócio, além de realizador, em projetos nacionais e também em projetos internacionais que são filmados cá, o que é bom para poder estar em casa. Ainda não posso revelar nada de muito concreto a esta distância, mas estes são, para já, os planos que tenho.

E em termos de ficção?
Além de aguardar a estreia da segunda temporada da série ‘Rabo de Peixe’, estou a preparar uma longa-metragem, que é o que quero fazer. Não sei se será em Portugal ou no estrangeiro, há várias possibilidades que estão em aberto.

O investimento internacional das plataformas de ‘streaming’ veio dar um novo fôlego à produção nacional. Como é que perspetiva a evolução?

Ainda estamos a dar os primeiros passos enquanto país produtor de entretenimento exportável. Portugal tem grandes exemplos de filmes premiados em festivais, sobretudo na Europa, mas isso não se tem refletido na aproximação ao público, nem sequer em Portugal. O cinema português tem tido uma história bastante interessante, em termos de reconhecimento nos festivais de cinema, mas o público português que o acompanha é muito pouco.

A série ‘Rabo de Peixe’ trouxe público. A união das duas coisas é o ideal. Se me perguntar como é que gostava que fosse o futuro, respondo que seria essa união, entre a arte e o público. Não sei se será assim, mas é assim que gostava que fosse.

Assim como?

Gostava que se investisse num cinema variado, com géneros diversificados, pensando sempre no público como o objetivo último dessa mensagem, desse produto.

Internacionalizar para um público abrangente

Estando na fase inicial de um processo de evolução, Portugal está preparado para dar resposta às necessidades crescentes? Há produtores, realizadores, atores, guionistas e meios técnicos suficientes?

Julgo que estamos preparadíssimos para dar resposta. Há uma sede enorme dos criadores, dos guionistas, dos realizadores e dos atores de mostrar o seu trabalho para além dos filmes que viajam nos circuitos dos festivais internacionais. Há uma grande vontade de internacionalizar o trabalho para um público mais abrangente.

Há talento suficiente e existem os meios técnicos necessários. Faltavam-nos as oportunidades, que foram entretanto abertas pelos canais de ‘streaming’ que estão a investir em Portugal, com outro tipo de narrativas e com histórias contadas de outras formas.

Essas áreas que referiu não estarão todas no mesmo estágio de desenvolvimento. Qual é que pensa que poderá ter um maior défice?

Pela minha experiência, diria que é, talvez, na produção que tem de haver um investimento maior, no sentido em que tem de haver mais rigor por parte dos produtores na forma como tratam estes produtos, de forma a que consigam ter um ‘craft’ ao nível do que se faz fora de Portugal. Técnicos, realizadores e escritores, temos. Falta a exigência, no sentido de subir o padrão, de elevar o nível. Isso passa muito pelos produtores. Daí o convite às produtoras portuguesas, que são habitualmente produtoras de publicidade, para entrar na área da ficção.

Pode dar exemplos?

Estou a pensar em dois casos que são claros, como o da Ready to Shoot, que produziu o ‘Heart of Stone’ para a Netflix, bem como a produtora do Nick Page e do Nick Roycroft, a Page International, que também produziu uma série para a Netflix. A Sagesse Productions, da Sofia Noronha, que produziu ‘House of the Dragon’ e outros projetos, é outro dos exemplos que me ocorre. São pessoas da publicidade que estão a prestar serviços a produções internacionais que vêm filmar a Portugal.

Porquê é que essas produções não se servem das produtoras de cinema portuguesas tradicionais?

Essa é uma questão que as produtoras tradicionais portuguesas têm de se colocar. É interessante ver as grandes produções internacionais a associarem-se, em Portugal, a produtores que trabalham habitualmente em publicidade e que, de um modo geral, não tinham qualquer experiência na produção de ficção.

Apesar da evolução, há realizadores e produtores, como o Leonel Vieira, que se continuam a queixar da qualidade dos guiões produzidos em Portugal. Também se sente isso?

Escrever um guião é muito difícil, dá muito trabalho. É preciso valorizar os guionistas e fazê-lo é conceder-lhes o tempo que precisam para desenvolverem as histórias. Quando contrato um guionista, não posso esperar que o guião que me entrega venha magicamente incrível, sem que lhe dê condições para trabalhar e tempo para investigar e para reescrever. Não acho, por isso, que a culpa seja dos guionistas. Parece-me mais falta de investimento na escrita, em termos de tempo e investigação dos guionistas.

Para o guião de ‘Rabo de Peixe’, recorreu à criação de salas de escritores, o que não é muito comum em Portugal. Parte do êxito deve-se a essa tomada de decisão?

Nessas salas de escritores, juntam-se vários guionistas a trabalhar para o mesmo fim. Em Portugal, nunca tinha acontecido ou, a acontecer, acontece muito raramente. Parte do sucesso dos nossos guiões advém daí, porque havia muita gente a trabalhar nessa sala de escritores, com tempo para desenvolver as ideias.

O recurso à sala de escritores aconteceu porque a série tinha investimento estrangeiro ou já tinha essa intenção desde o início?

No caso de ‘Rabo de Peixe’, foi uma imposição minha. Queria mesmo ter tempo e um bom grupo de escritores a trabalhar no projeto, porque é assim que se fazem todas as séries lá fora. Por isso, tínhamos de replicar o processo que sabemos que funciona no estrangeiro.

Tivemos, obviamente, o apoio da Netflix, que não só aceitou a proposta como os encargos económicos que essa opção implicava. Houve mais apoio económico e, sobretudo, a vontade de não ter apenas um autor a escrever a série. O facto de haver um grupo de escritores a trabalhar em conjunto melhora a história.

Realizadores de publicidade a crescer no cinema

Além do novo mercado que o ‘streaming’ veio criar, os realizadores de cinema têm vindo a diversificar a atividade com incursões na publicidade, lá fora e em Portugal. Como é que vê esta evolução?

Mais do que os realizadores de cinema a fazer essa incursão na publicidade, são os realizadores de publicidade que estão a entrar no cinema. O panorama português é muito mais tímido do que o internacional. Além de mim, há o Tiago Guedes, o Marco Martins e o João Nuno Pinto, realizadores que começaram as carreiras na publicidade e que agora são realizadores de televisão e cinema em Portugal. Lá fora, há imensos, como o Jonathan Glazer, o Ang Lee, o Ridley Scott ou o Tony Scott. Todos eles começaram na publicidade e passaram para o audiovisual.

Porque é que isso acontece?

Apesar de serem duas formas de comunicar muito diferentes, os realizadores de séries e de filmes trazem coisas boas para a publicidade. O David Fincher, que é um dos melhores realizadores da atualidade, começou na publicidade e passou, depois, para o cinema. Além de ritmo, trouxe uma visão técnica que veio mudar as coisas. Ao fazer-se cinema, traz-se para a publicidade uma outra profundidade das personagens, dando mais interesse à narrativa. Parece-me que são vasos comunicantes, que trazem coisas boas mutuamente.

Sendo as linguagens e as formas de comunicar diferentes, o que é mais desafiante para um realizador de ficção quando pega num projeto publicitário?

Talvez o contar uma história em tão pouco tempo. Aceitar que a história tem de ser contada em 20 ou 30 segundos e que cada plano tem de ser milimetricamente medido é o maior desafio.

E o mais fácil?

O mais fácil é trabalhar com os atores, porque essa é a grande mais-valia dos realizadores que trabalham em ficção habitualmente. Estão muito acostumados a tirar o melhor dos atores e dos personagens.

Em publicidade, o que é que tem feito ultimamente?

Além do filme publicitário da nova campanha internacional da Coca-Cola, que tenho estado a filmar em Barcelona, tenho tido a sorte de, em Portugal, fazer os anúncios de Natal da Vodafone nos últimos sete anos. São campanhas importantes para mim e para a marca e, culturalmente, também são importantes para o país, pelos temas sociais que abordam.

Também tenho feito coisas no estrangeiro. Estive nos Estados Unidos no fim de dezembro, a filmar um anúncio de Mercedes-Benz, que vai poder ser visto nos próximos meses, nos Estados Unidos. É uma campanha só para o mercado norte-americano. Em publicidade, tenho trabalhado sobretudo fora de Portugal.

Encontrar a verdade nas histórias

No caso dos anúncios de Natal da Vodafone, o que é que procura fazer de diferente a cada ano para não os tornar repetitivos?

Há dois desafios importantes. Um é encontrar a verdade nas histórias que se contam, porque, no fundo, sabemos que se estão a recorrer a truques emocionais para aproximar o público da marca. Esse desafio começa na marca, passa para a agência e, depois, cabe-me a mim tornar a narrativa autêntica, para que não seja uma coisa produzida para um efeito e tenha uma âncora na realidade. Esse é o grande desafio, sempre.

E o outro desafio?

É fazer com que cada anúncio seja melhor do que o do ano anterior. Às vezes, é difícil, depende muito da história. Se virmos a evolução dos anúncios de Natal da Vodafone, que têm sido premiados todos os anos, ela é grande. As campanhas têm recebido prémios não só de execução, mas também de eficácia, pela ligação ao lado emocional e verdadeiro.

Tendo em conta essa procura de autenticidade e verdade, como é que vê o recurso à IA para a criação integral de anúncios?

A utilização da IA é inevitável. Temos que preparar-nos para essa realidade e aprender a usar essas ferramentas a nosso favor. No caso dos jornalistas, podem recorrer a elas para transcrever entrevistas, um trabalho que é mecânico, mostrando depois toda a sua arte na edição. No meu caso, é útil para a preparação de ‘storyboards’ e de documentos que são ferramentas de trabalho.

Apesar de inevitável como ferramenta, não me parece que a IA venha substituir o lado humano das sensações nem a relação direta que se cria entre o realizador e os atores e, depois, com o espectador. É como ouvir a música do Hans Zimmer tocada por um sintetizador. Até pode ser o melhor sintetizador do mundo e conseguir reproduzir as notas na perfeição, mas é sempre diferente ouvi-la em vivo, tocada por uma orquestra, nem que seja pelo erro e pela imperfeição do ser humano, que é o que nos torna mais belos.

A IA deve funcionar só como um apoio, nunca deve ser usada em substituição da arte humana?

Não me parece que tenha alguma lógica fazer uma campanha 100% com recurso a IA, porque isso seria tratar a comunicação humana de um ponto de vista exclusivamente racional, ignorando o ponto de vista emocional. O emocional da comunicação é, provavelmente, 90% do que nos une, seja numa conversa ou na publicidade.

Já trabalhou em diferentes mercados, com diferentes visões e formas de trabalhar e em distintas fases de evolução. O que é que absorveu dessas experiências?

Há um ponto comum na comunicação de marcas, sobretudo quando comparamos culturas tão diferentes, que é o emocional. Está sempre lá e sobrepõe-se sempre aos aspetos técnicos e aos racionais. O que realmente toca as pessoas são as histórias que são universais, que envolvem pais e filhos, casais, avós e netos, irmãos que não se veem há algum tempo ou um grupo de amigos que se esforça para conseguir alguma coisa.

Essas narrativas são universais e tanto funcionam na China como nos Estados Unidos ou em Portugal. Essas histórias são as que se prolongam por mais tempo e são comuns em todos os mercados. Gosto muito de trabalhar essa parte das narrativas. É, talvez por isso, que tenho tido a possibilidade de trabalhar em tantos mercados.

Enquanto português, o que é que leva para esses projetos?

Levo exatamente isso, a visão de que o peso da narrativa tem de estar na autenticidade. Tem de ser uma coisa real, que nos leve a acreditar nela. Para isso, não pode ser excessivamente produzida. Além disso, levo a flexibilidade, que é uma parte importante do ser português e que é muito necessária na nossa profissão.

Já que saí de casa, quando trabalho no estrangeiro, procuro fazer o projeto o mais incrível possível, sentindo sempre que, como vimos de um país onde temos menos oportunidades, temos de agarrar as que surgem e procurar elevá-las o mais possível, para merecermos a responsabilidade que nos está a ser dada.

Qual é a relação que tem com a publicidade no quotidiano? É consumidor regular ou tende a achá-la intrusiva?

Tendo a achar a publicidade intrusiva e, por norma, não consumo publicidade. Pelo menos de forma consciente. Procuro marcas e anúncios que me possam interessar, mas raramente vejo aquela publicidade ‘pré-roll’ que nos querem obrigar a ver. Clico sempre no ‘skip ad’. Faço-o pela qualidade do que me está a ser entregue e porque, na maioria das vezes, não é aquilo que me apetece ver naquele momento.

Publicidade em recessão de ideias

Como é que analisa o estado da criatividade em Portugal?

Estamos num momento muito conservador, não só em termos de criatividade como também em termos de ideias. Assiste-se a uma fase de recessão das ideias. As agências criativas sofreram, nos últimos anos, um processo de aglomeração. Há menos agências e, como tal, têm menos pessoas a trabalhar, estando todas, muitas vezes, concentradas nos mesmos edifícios. Além do mercado estar mais reduzido, também me parece haver menos dinheiro disponível para os consumidores, pelo que as marcas também têm mais medo de arriscar.

A ditadura do politicamente correto condiciona a criatividade?

Condiciona, tal como a necessidade de medir as campanhas para garantir que vão gerar resultados. Há inúmeros casos, na publicidade e no cinema, de projetos que não indiciavam que pudessem vir a ter êxito, mas houve alguém que acreditou neles e arriscou e vieram a ser bem-sucedidos. Quando o nosso instinto nos diz que sim, vale a pena tentar. Quando isso acontece, habitualmente com marcas com menor presença, que têm menos medo de arriscar, veem-se coisas incríveis e brilhantes.

Mas as maiores marcas estão claramente num momento em que lhes custa mais arriscar. Talvez por causa das redes sociais, por temerem ser criticadas. A cultura do cancelamento e a cultura ‘woke’ também contribuem para o medo, uma vez que qualquer vírgula fora do sítio pode ser o fim de uma marca. Há esse receio.

O que é que afeta mais a criatividade, o politicamente correto ou a redução dos orçamentos?

As duas coisas. A redução dos orçamentos afeta sobretudo o tempo e a dedicação que os criativos têm para trabalhar as histórias. A redução dos orçamentos de produção também tem impacto. Fazer uma coisa que já está mais do que provado que funciona resulta, mas empobrece a execução e o conceito.

Os anunciantes pedem cada vez mais fórmulas que lhes dão garantias, por medo de arriscar?

O que os anunciantes pedem são anúncios de que toda a gente fale, que mudem o mercado, que ponham a marca no ‘top of mind’ dos consumidores. É isso que me estão sempre a pedir. O problema é que estão muito limitados pelos condicionantes do mercado, pelos condicionantes sociais em que vivemos.

Há também a questão das métricas e a necessidade de medir tudo. Essas análises quantitativas também condicionam a criatividade?

Penso que sim. Mas é fundamental que a afetem. Dando o exemplo do cinema português, que é maioritariamente apoiado pelo Estado, essa análise de resultados, em termos do número de espectadores que veem os filmes, é totalmente irrelevante. Na publicidade, é fundamental a medição de resultados, até para sabermos para onde é que estamos a ir. Por outro lado, há coisas que não se podem medir e devia haver espaço para se arriscar mais e até para cometer erros. Com os erros, podem também advir grandes surpresas.

Há empresas, sobretudo lá fora, que estão a fazer medições emocionais, como a portuguesa Mediaprobe, que tem trabalhado nos Estados Unidos. A solução passa por aí?

Sem dúvida. Não sei como é que a fazem, mas sendo possível fazer essa avaliação emocional, é muito interessante e útil para a análise e para a antecipação de resultados, e para preparar o caminho para os atingir. Acho essa ideia muito interessante.

Já recebeu vários prémios como realizador de ficção e de publicidade. Qual deles é que o marcou mais?

O prémio que mais gostei de ganhar, não sei porquê, foi, talvez, o prémio Sophia, pela série ‘Rabo de Peixe’, em 2024.

Porquê?

Porque é dado pela Academia Portuguesa de Cinema, que, habitualmente, não considera as séries, muito menos as de ação. Ter-nos entregue esse prémio é o reconhecimento que não existe só o cinema tradicional português. É também um sinal de que a academia está num processo de renovação, reconhecendo que há, de facto, uma consistência no trabalho que desenvolvemos.

Prémios e festivais não são demasiados

Há algum prémio que ambicione?

Um prémio em si não. Mas gostava de fazer parte de um grupo de portugueses que consegue exportar cinema para fora de Portugal. Esse seria o grande prémio, ter filmes feitos por portugueses a estrear nas salas de cinema de todo o mundo ou bem colocados nos tops e nas tabelas mundiais das principais cadeias de ‘streaming’.

Quando trabalha, fá-lo a pensar em potenciais prémios ou encara-os como uma consequência?

Honestamente, os prémios só são importantes para quem os ganha. Quando não ganhamos, tornam-se completamente irrelevantes.

Em Portugal, há demasiados prémios e festivais, pelo menos na área da criatividade?

Na área da publicidade, há festivais e festivais. Uns têm maior credibilidade do que outros. Alguns são importantes, como os Prémios Eficácia e o Festival CCP. Esses são os que considero relevantes, pelo que não me parecem demasiados.

É sobretudo associado a ‘Rabo de Peixe’. Sente a pressão de apresentar rapidamente outros trabalhos, que o afastem da série e que mostram que é capaz de se superar?

Sinto essa necessidade, para provar ao público e também a mim próprio que não tive sorte e que não sou como as bandas que fazem uma música boa e que, depois, desaparecem. Estou a trabalhar para mostrar o meu valor e para tentar fazer uma coisa que seja realmente boa e de que realmente goste. ‘Rabo de Peixe’ também foi um êxito porque era uma coisa que queria fazer. Vou procurar fazer, a seguir, outras coisas nas quais acredito, talvez seja essa a fórmula para continuar a ter êxito.

Em termos de ficção, qual é a ambição maior?

Seria um filme em Hollywood. A minha ambição maior são os Estados Unidos. Se trabalhasse na indústria aeroespacial, imagino que o meu objetivo fosse trabalhar na NASA ou na Agência Espacial Europeia. Neste caso, é a mesma coisa. Há muitos anos que o ‘core’ do cinema de que gosto está mais nos Estados Unidos do que na Europa. Apesar de adorar muitos criadores de cinema europeu, interessam-me mais os Estados Unidos e gostava muito de conseguir entrar no mercado norte-americano como realizador e criador de ficção.

O que gostava de fazer lá?

O projeto perfeito seria ter criado a série ‘Ozark’. Como os Estados Unidos também são um mercado muito forte em termos de plataformas de ‘streaming’, o interesse em ir para lá também advém daí. Seria a junção ideal, até porque, quando os americanos e os europeus se juntam, o resultado final é melhor do que o cinema americano puro.

Foi por isso que o [realizador Alfred] Hitchcock foi para os Estados Unidos e que há muitos realizadores mexicanos a trabalhar lá. Alia-se a criação e a arte a uma capacidade de produção incrível, que não temos na Europa. São muitos os bons filmes idealizados por criadores e pensadores europeus, sul-americanos ou sul-coreanos que têm uma força de produção que só os norte-americanos é que conseguem materializar.

Augusto Fraga recorreu a uma sala de escritores para o desenvolvimento dos guiões da série ‘Rabo de Peixe’

“Espero que ‘Rabo de Peixe’ não tenha uma quarta temporada”
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A série ‘Rabo de Peixe’ vai ter mais duas temporadas. O que é que muda em termos da realização e da construção da narrativa, face à primeira?

São claramente mais maduras, mais cinematográficas em termos de realização. Na primeira temporada, havia uma vontade de experimentarmos tudo, para encontrarmos a linguagem própria da série e procurámo-la também pelo erro. Na segunda e na terceira, já sabíamos o que queríamos e aquilo de que, enquanto criadores, gostámos na primeira temporada. As personagens também já estavam numa fase de evolução mais avançada. Como já as conhecíamos muito melhor, pudemos aprofundá-las mais.

Tal como acontece entre a primeira temporada e a segunda, também existem diferenças significativas entre a segunda e a terceira?

A segunda temporada é claramente de profundidade e de maturidade, o que contrasta com o contexto de ‘Rabo de Peixe’ e com o do consumo de drogas. Já a terceira temporada é completamente diferente, muito mesmo, mas vão ter de a ver para o perceber.

Pode haver uma quarta temporada?

Espero que não. Escrevemos e filmámos a série de forma a ter um fim narrativo com a terceira, o que não significa que, depois, não venham a existir mais temporadas. Mas, para nós, guionistas e realizador, a história do Eduardo [protagonista] e dos amigos acaba, de alguma forma, na terceira temporada.

Dado o sucesso global da primeira temporada, houve pressão e imposições por parte da Netflix em relação às seguintes?

Houve mais liberdade por parte da Netflix, enquanto canal, porque já havia uma base de confiança. Como conseguimos fazer uma primeira temporada que funcionou bem, deram-nos essa confiança. Senti mais liberdade criativa e tive mais recursos para fazer estas duas temporadas do que tive para fazer a primeira.

Só a nível financeiro ou também a nível técnico?

As duas coisas. Como era a segunda parte de uma coisa que já tinha sido feita, conseguimos melhorar muito, a vários níveis. Conseguimos melhorar no ‘craft’ e na relação entre a equipa. Mudámos algumas pessoas, porque achámos que era importante para o resultado final. Na segunda e na terceira temporada, houve todo um esforço e uma dedicação no sentido de fazer uma série melhor. Não houve perdas de energia noutras coisas.

Augusto Fraga, realizador da Krypton, já filmou campanhas publicitárias em cerca de 50 países

“Grande parte das campanhas feitas pelos outros são melhores do que as minhas”
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Dos anúncios publicitários que fez, qual é aquele de que mais se orgulha?

Não consigo eleger só um. Orgulho-me de ser realizador há mais de 20 anos e de já ter filmado em mais de 50 países, orgulho-me de poder filmar e trabalhar para marcas, tanto na China como nos Estados Unidos, no México ou em Portugal. Orgulho-me de continuar a ter relações com produtoras, com criativos e com marcas em países e contextos completamente diferentes.

É um orgulho ter sido escolhido por uma equipa criativa de Los Angeles para o anúncio da Mercedes-Benz que fiz agora, como foi quando trabalhei na Grécia, no Senegal ou na Tailândia. Ir para esses sítios, que têm uma cultura diferente da nossa, para ser desafiado a aportar a minha visão aos projetos é um orgulho. O que me faz mais feliz é isso.

Há alguma campanha que gostaria de ter realizado?

Quase todas. Acho que grande parte das campanhas feitas pelos outros são melhores do que as minhas.

Porquê?

Não sei. Acho que é uma espécie de síndrome do impostor. Fico muitas vezes a pensar em como é que conseguiram fazer uma determinada coisa e eu não, ou a interrogar-me se, no caso de ter sido convidado para dirigir uma determinada campanha, também a teria feito assim. Mas, nos últimos anos, deixei de ver campanhas de outros realizadores.

O que, antes, era uma constante procura de influências e de referências, hoje em dia é uma coisa muito rara. São poucos os realizadores que realmente acompanho para saber o que andam a fazer. Ainda assim, acontece-me muitas vezes ver coisas que penso que estão a um nível altíssimo, que espero um dia alcançar.

É síndrome do impostor ou resquícios daquela mentalidade que se tem vindo a perder que considera os estrangeiros melhores do que os portugueses?

É uma mentalidade portuguesa que temos de manter. A ideia de humildade, de que o esforço não pode parar e de que não somos eleitos para um lugar para lá ficarmos. É uma das coisas boas de ser português. Alguns dos nossos representantes mais conhecidos lá fora usam estratégias de maior arrogância. Deve ser o contrário, que temos de ser muito humildes. Estando num ponto mais alto, devemos ser ainda mais humildes.

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Nos termos do acordo, os investidores norte-americanos da ByteDance, incluindo as empresas de investimento General Atlantic, Susquehanna, KKR e Coatue, em conjunto com a Oracle, adquiririam as participações de investidores chineses na operação norte-americana do TikTok para criar uma ‘spin-off’

Daniel Monteiro Rahman

Alguns dos maiores investidores norte-americanos da ByteDance, detentora do TikTok, estão a negociar um acordo para comprar a rede social em conjunto com a Oracle, noticia o Financial Times. As negociações surgem em antecipação da data limite de 5 de abril, a qual estabelece que o TikTok deve cumprir a lei que proíbe a plataforma nos Estados Unidos, a menos que a proprietária, sediada em Pequim, venda a operação norte-americana a entidades não chinesas.

Nos termos do acordo, os investidores norte-americanos da ByteDance, incluindo as empresas de investimento General Atlantic, Susquehanna, KKR e Coatue, adquiririam as participações de investidores chineses na operação norte-americana do TikTok para criar uma ‘spin-off’, segundo fontes familiarizadas com o negócio citadas no Financial Times. A Oracle, cofundada por Larry Ellison, poderá adquirir uma participação menor na empresa.

A empresa de software já tem um acordo com o TikTok desde 2020, conhecido como Projeto Texas, para armazenar os dados pessoais dos utilizadores norte-americanos em servidores localizados nos Estados Unidos. Os investidores norte-americanos estão dispostos a aumentar o investimento e a apoiar a proposta da Oracle, com vista a proteger os interesses económicos, ainda de acordo com o Financial Times.

No âmbito de uma proposta conjunta com os investidores norte-americanos, a Oracle fornece garantias de segurança de que os dados dos utilizadores norte-americanos do TikTok estão protegidos. Por conseguinte, seria possível permitir que a ByteDance continuasse a utilizar o algoritmo que define a rede social, uma exigência fundamental do governo chinês. A ByteDance prefere a estrutura de negócio centrada na Oracle a outras alternativas, segundo ainda o Financial Times.

Com a iniciativa de Donald Trump de prolongar o prazo da proibição do TikTok nos Estados Unidos, a Casa Branca assume o papel invulgar de intermediária em qualquer potencial acordo, incentivando várias empresas a apresentar propostas para comprar a operação da rede social nos Estados Unidos. JD Vance, vice-presidente dos Estados Unidos, refere que prevê a realização de um acordo até à data limite de 5 de abril que “satisfaça as preocupações de segurança nacional e permita a existência de uma empresa norte-americana distinta com base no TikTok”.

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ConsumerChoice nomeia nova diretora-geral e reestrutura equipa

Entre as novidades, está a passagem de Nassrin Majid para o cargo de Diretora-Geral e a de José Borralho para a posição de Chairman & Inspiration Officer

A ConsumerChoice, que desenvolve em Portugal os sistemas de avaliação Escolha do Consumidor, Escolha Sustentável, entre outros, anuncia uma reestruturação da sua equipa.
Entre as novidades, está a evolução da anterior Diretora Comercial, Nassrin Majid, para o cargo de Diretora-Geral, com responsabilidades ao nível da gestão executiva e operacional da empresa, e a de José Borralho, anteriormente CEO da marca, para a posição de Chairman & Inspiration Officer (CIO) do grupo.

Nassrin Majid passa a assumir a liderança da ConsumerChoice depois de cinco anos de experiência como responsável pelo departamento comercial. O seu percurso profissional é antecedido por passagens na FNAC, com responsabilidades na área de prestação de serviços ao cliente e, posteriormente, na empresa noMenu como Diretora de Marketing e Comunicação.

“A ConsumerChoice tem sido um símbolo de confiança e inovação, e estou determinada a reforçar esse legado, impulsionando o crescimento e a proximidade com os consumidores. Liderar é sobre inspirar, construir e evoluir junto com a equipa, e estou pronta para este novo capítulo”, assume Nassrin Majid.

Por sua vez, José Borralho, refere que a nomeação da Nassrin é o “reconhecimento da dedicação e de todo o trabalho desenvolvido ao longo destes anos. O futuro pertence às novas gerações de empreendedores e dar-lhes espaço não é apenas uma escolha, é a essência da evolução”.

A posição de Diretora Comercial vai ficar, atualmente, a cargo de Carmen Machado. Para além desta contratação, ingressa também na empresa, Joyce D´Avila, que vai assegurar a Direção Financeira e de Recursos Humanos.

Em comunicado, a ConsumerChoice confirma que esta transição reforça a “importância de reter os talentos presentes na organização, proporcionando o crescimento profissional, e ao mesmo tempo, apostar em novos profissionais especializados em diferentes áreas do mercado de trabalho”..

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TVI e CNN promovem conferência internacional sobre influenciadores digitais

A programação do ICON conta com influenciadores internacionais e nacionais como Chiara Ferragni, Camila Coelho, Mark Ritson, Cristina Ferreira, Lucas Rodrigues (Lucas With Strangers), Luís Correia e Nuno Agonia, entre outros

Nos dias 4, 5 e 6 de junho de 2025, na MEO Arena, Lisboa transforma-se no palco mundial para algumas das vozes mais influentes da atualidade, numa conferência que reúne os maiores nomes do digital, dos negócios, do entretenimento, do marketing, da cultura e da inovação.

A programação do ICON conta com figuras de renome nacional e internacional, como Chiara Ferragni, Camila Coelho, Mark Ritson, Cristina Ferreira, Loren Gray, Lucas Rodrigues (Lucas With Strangers), Brodie Carr, Bruno Casanovas, Luís Correia ou Nuno Agonia, entre outros especialistas e líderes, que debatem as novas oportunidades de influência na era digital, estratégias de sucesso e tendências emergentes.

Organizado pela Iconference Events, TVI e CNN Portugal, este evento cria um momento de discussão em torno do conceito de influência e do seu papel na sociedade, na economia e no mundo corporativo. Segundo os organizadores citados em comunicado, o ICON representa “uma oportunidade única para líderes das mais diversas indústrias, marcas, agências, plataformas e futuros ícones acederem a ‘insights’ estratégicos, boas práticas e ferramentas inovadoras, promovendo a troca de conhecimento e impulsionando um futuro mais conectado e inovador”.

Sob o mote “Learn. Share. Lead.”, os participantes terão acesso a painéis de debate, ‘keynotes’ inspiradoras, sessões estratégicas e experiências imersivas, explorando o impacto da influência em áreas como o marketing, o entretenimento, a moda, a música, as empresas, o turismo ou o desporto.
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CGD é a terceira marca bancária que mais valoriza

A Caixa Geral de Depósitos (na foto) valoriza 163% face a 2023, sendo apenas ultrapassada pelo Revolut e pelo Nubank. No ranking geral Brand Finance Banking 500 2025, liderado por quatro bancos chineses, a CGD sobe da 249ª para a 208ª posição

A Caixa Geral de Depósitos (CGD) é a terceira marca bancária que mais cresce, valorizando 163% face a 2023, no ranking Fastest Growing Banking Brands 2025, da Brand Finance. O primeiro lugar é ocupado pelo Revolut, que valoriza 795%. A vice-liderança pertence ao Nubank, com uma valorização de 195%. A marca Allied Irish Banks (AIB) surge em quarto lugar, com um crescimento de 158%, à frente do National Bank of Greece (NBG), que aumenta 148%.

No ranking geral Brand Finance Banking 500, que apresenta as marcas bancárias que mais valorizaram entre 1 de janeiro e 31 de dezembro de 2024, a CGD sobe da 249ª para a 208ª posição, dois lugares abaixo do Millennium bcp, que sobe do 218º para o 206º lugar. Na listagem da consultora britânica, onde só constam três instituições bancárias portuguesas, o BPI surge na 431ª posição, descendo da 426ª.

“As taxas de juro elevadas, em muitas das principais economias, impulsionou o crescimento dos valores das marcas bancárias, aumentando os lucros e os preços das ações em 2024. No entanto, o crescimento do valor da marca a longo prazo está a ser moldado por quatro tendências principais: regulamentação, inovação digital, rendimento baseado em taxas em vez de margens de juros, e um foco na construção da marca para sustentar a vantagem competitiva”, salienta Annie Brown, diretora de valorização da Brand Finance, citada no estudo.

O ranking Brand Finance Banking 500 é liderado por quatro bancos chineses, com o primeiro lugar a ser ocupado pelo Banco Industrial e Comercial da China (ICBC), que vale 79,1 mil milhões de dólares (€73 mil milhões), fruto do crescimento de 10% registado em 2024.

Em segundo lugar, surge o China Construction Bank, com 78,4 mil milhões de dólares (€72,4 mil milhões), e, em terceiro, o Agricultural Bank of China, com 70,2 mil milhões de dólares (€64,8 mil milhões). Os valores das instituições bancárias portuguesas não são tornados públicos.

De acordo com o Brand Finance Banking 500, elaborado com base numa metodologia desenvolvida pela Brand Finance, o valor das 500 maiores marcas bancária do mundo cresce 13% em 2024, face a 2023. “É a primeira vez, em quatro anos, que regista um aumento de dois dígitos, após dois anos em que o ritmo de crescimento não foi além dos 2%”, refere a análise da consultora financeira.

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Aron Piper é o novo embaixador da YSL Beauty em Portugal e Espanha

O ator e cantor Aron Piper (na foto), que tem 11,2 milhões de seguidores no Instagram, já promove a marca nas redes sociais. “É o melhor exemplo de uma nova masculinidade”, diz Judit de la Fuente, diretora-geral da YSL Beauty para Portugal e Espanha

Aron Piper é o novo embaixador da YSL Beauty em Portugal e Espanha, tendo sido escolhido para promover o perfume MYSLF na nova campanha nas redes sociais, em eventos e ativações de marca e em ações de marketing de influência. Filho de pai alemão e mãe espanhola, o ator e cantor, que tem 11,2 milhões de seguidores no Instagram e 552 mil no TikTok, ganhou visibilidade após participar na série ‘Elite’, da Netflix.

“Conhecido pelo seu espírito audaz, pelos papéis cativantes e pela sua intrépida autoexpressão, também no âmbito musical, ele é o melhor exemplo de uma nova masculinidade como imagem de MYSLF. Vamos poder observá-lo a incorporar os novos valores de YSL Beauty através de looks, conteúdos e eventos onde descobriremos o seu universo, energia única e uma atitude sem limites para inspirar uma nova geração que abraça a beleza nos seus próprios termos”, salienta Judit de la Fuente, diretora-geral da YSL Beauty para Portugal e Espanha, citada em comunicado de imprensa.

Depois do ator norte-americano Austin Butler, que também foi o rosto de MYSLF na Península Ibérica, a marca recorre agora a Aron Piper para reforçar a notoriedade da YSL Beauty em Espanha e Portugal. Capas de revistas, entrevistas, produções de moda, concertos, primeiras filas de desfiles, são alguns dos universos nos quais Aron se move com naturalidade.
“É incrível fazer parte de YSL Beauty, uma marca que representa elegância e personalidade. Estou muito entusiasmado com o que está por vir.”, refere o novo embaixador, quando questionado sobre o início da sua colaboração com a YSL Beauty, citado em comunicado de imprensa

Após a série ‘Elite’ tê-lo tornado num ícone LGBTQIAP+, a YSL Beauty procura também chegar aos membros desta comunidade através do artista. Esta iniciativa faz parte do compromisso contínuo de celebrar a individualidade, iniciado com o lançamento do perfume MYSLF há dois anos. “Ter um propósito partilhado ajuda-nos a superar barreiras”, explica Aron Piper, citado em comunicado de imprensa.
Nos Estados Unidos, os rappers Lil Nas e Stuns também foram anunciados como embaixadores da fragrância em outubro de 2024.

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Ana Elisa Seixas assume marketing da New Balance na MEAI

“Estou ansiosa por consolidar ainda mais a nossa posição como a marca desportiva premium e exclusiva”, refere Ana Elisa Seixas (na foto), nova diretora de marketing da New Balance, na região Médio Oriente, África e Índia

Ana Elisa Seixas é a nova diretora de marketing da New Balance na região MEAI (Médio Oriente, África e Índia). A ‘marketer’ transita da Asics, onde desempenha o cargo de diretora de marketing da marca para o Médio Oriente, depois de ter trabalhado no Supreme Group, na Jincom, na Interface e na DHL, nos Emirados Árabes Unidos.

“Estou ansiosa por consolidar ainda mais a nossa posição como a marca desportiva premium e exclusiva, honrando a herança e a arte de fabrico da New Balance, numa altura em que a marca cresce e se expande nesta região”, refere Ana Elisa Seixas, citada em comunicado de imprensa.

A portuguesa tem a missão de alavancar o negócio nos mercados que coordena, sendo também responsável pelo desenvolvimento de campanhas, ativações e estratégias de marketing de influência que aumentem a notoriedade da marca.

Formada em economia pela Católica Lisbon School of Business & Economics, Ana Elisa Seixas estuda liderança no Blekinge Institute of Technology e estratégias de marketing B2B na Harvard Business School e marketing digital na Columbia Business School Executive Education.

A trabalhar o mercado árabe desde 2005, depois de uma passagem pelo Palladium Group, em Madrid, entre 2004 e 2005, a ‘marketer’ reporta agora a Stuart Henwood, diretor sénior da New Balance na região MEAI. “O seu historial comprovado de sucesso e abordagem inovadora que sempre demonstrou ter vão acelerar o nosso crescimento e aprofundar o envolvimento da marca com os consumidores”, refere Stuart Henwood, citado no documento.

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Redes sociais são o canal de venda que mais cresce no Reino Unido

Estudo da plataforma de gestão de entregas Scurri aponta o YouTube, o Instagram e o TikTok como as redes sociais mais relevantes para as marcas, apesar de os retalhistas britânicos continuarem a privilegiar o Facebook

As redes sociais são o canal de venda que mais cresce no Reino Unido e já representam 6% do comércio eletrónico, revela um estudo realizado pela plataforma de gestão de entregas Scurri. Em 2028, deverá representar 10% das compras digitais totais, antecipa a plataforma.

“Prevê-se que a indústria do comércio social do Reino Unido mais do que duplique nos próximos quatro anos, aumentando das 7,4 mil milhões de libras (€8,8 mil milhões) para quase 16 mil milhões de libras (€19,1 mil milhões), crescendo a uma taxa quatro vezes superior à das vendas de comércio eletrónico gerais”, refere o estudo, elaborado a partir da análise de indicadores económicos e dos resultados de um inquérito a cerca de 100 retalhistas britânicos.

Dos 83% dos inquiridos que confirmam a crescente importância das redes sociais no ‘e-commerce’, 50% assumem que já não prescindem delas para aumentar a faturação. Embora considerem que o YouTube (55%), o Instagram (54%) e o TikTok (54%) são os canais de comércio social que as marcas mais valorizam, os retalhistas privilegiam o Facebook (57%), mais do que o Instagram (48%) e o TikTok (48%).

“Independentemente da plataforma social em que vendem, os parceiros de entregas dos retalhistas precisam de se integrar com as diferentes infraestruturas de tecnologia de atendimento, incluindo soluções de gestão de stocks ou de gestão de encomendas, para otimizar os processos, melhorar a experiência de entrega e tornar a jornada pós-compra mais apelativa”, defende Rory O’Connor, fundador e CEO da Scurri.

Na opinião de 86% dos inquiridos, o comércio social está a democratizar o setor do retalho, permitindo que empresas de menor dimensão concorram com os grandes retalhistas. Segundo o estudo, as empresas de média dimensão tendem a ser mais ativas do que as companhias maiores na ativação de parcerias pagas (42% face a 29%), na realização de eventos de compras ao vivo (46% face a 24%) e até no recurso a marketing de influência com macroinfluenciadores (32% face a 21%).

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VML Branding cria identidade visual do UEFA Euro 2028

“Podemos dizer que a história da ligação entre os fãs e o Euro vai continuar num novo capítulo, em 2028, com mais intensidade”, revela Hélder Pombinho, diretor criativo de design de marca da VML Branding, em declarações ao M&P

A VML Branding, unidade da VML Portugal especializada na criação de sistemas de identidade formada por uma equipa inteiramente portuguesa, é a agência escolhida para desenvolver a identidade visual do UEFA Euro 2028, que se realiza no Reino Unido e na República da Irlanda. O projeto é uma colaboração da VML Portugal com a União das Associações Europeias de Futebol (UEFA).

Pedro González, diretor-geral da VML Branding, é o responsável pela gestão do projeto, cuja direção criativa está a cargo de Hélder Pombinho, diretor criativo de design de marca da VML Branding, que tem um histórico de projetos associados a este campeonato, tendo sido responsável pela criação da identidade visual do Euro 2004, 2012, 2016, 2020 e 2024.

“Em 2024 atingimos um novo nível, onde convidámos todos os fãs da Europa a fazer parte da marca. O logo representava um estádio onde todos tinham lugar, através da ligação das cores de todas as nações da Europa. Podemos dizer que a história da ligação entre os fãs e o Euro vai continuar num novo capítulo, em 2028, com mais intensidade”, revela Hélder Pombinho, em declarações ao M&P.

A VML Branding não é estranha à criação de identidades visuais para competições deste tipo. É também responsável pela criação da identidade do UEFA Euro 2020 e 2024, bem como de outros projetos, como a UEFA Nations League e a UEFA Women’s Nations League, incluindo a identidade visual da fase de qualificação do Campeonato Europeu de Futebol Feminino.

“Ao terceiro Euro consecutivo, continuamos a estabelecer novos patamares de excelência criativa. É com imenso orgulho que desenvolvemos mais este projeto emblemático para a UEFA, reforçando a nossa posição como agência de ‘branding’ de referência internacional, capaz de elevar continuamente os padrões criativos da indústria”, declara Pedro González.

A VML Branding tem colaborado ainda com outras organizações internacionais no setor desportivo, incluindo projetos para a Federação Internacional de Futebol (FIFA), nomeadamente o Mundial de Futsal 2024, no Uzbequistão, e o Campeonato do Mundo de Futebol de Praia da FIFA 2025, nas Seychelles, além de outros projetos com a Federação Internacional de Basquetebol (FIBA).

A candidatura conjunta do Reino Unido e República da Irlanda ao UEFA Euro 2028 é aprovada a 10 de outubro de 2023, e a competição está prevista para ocorrer entre 9 de junho e 9 de julho de 2028.

 

Leia mais sobre este tema na entrevista a Nuno Santos, CEO da VML, na edição 977 do M&P

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Supermercados Apolónia comunicam com a Taylor

A Taylor, agência de comunicação do grupo Youngnetwork, reforça a carteira de clientes na área do retalho, com a entrada da cadeia de supermercados do Algarve, que quer apostar na construção do ‘brand awareness’, a nível regional e nacional

A agência de comunicação Taylor acrescenta ao portefólio de clientes os supermercados Apolónia, ficando responsável pela consultoria de comunicação, relações públicas, assessoria de imprensa e marketing de influência, com o intuito de consolidar o prestígio da cadeia de supermercados no setor do retalho alimentar em Portugal.

Tânia Tadeu, diretora-geral da Taylor, explica que “o nosso desafio é aumentar o reconhecimento desta marca icónica do Algarve, a nível nacional, de forma a trilhar caminho para uma futura expansão, construindo para isso narrativas que reforcem a sua ligação com os clientes e que reflitam a sua dedicação à qualidade”.

A marca quer continuar a apostar na sua diferenciação e ser percepcionada como o verdadeiro supermercado para todos, onde disponibiliza desde os produtos mais comuns aos mais especiais. É a aposta nesta mensagem e na construção do ‘brand awareness’, a nível regional e nacional, que a parceria com a Taylor pretende reforçar.

Ângela Sarmento, diretora de marketing da marca, argumenta que “a experiência e a criatividade da Taylor serão fundamentais para fortalecer a nossa comunicação. Queremos apostar numa estratégia de comunicação alinhada com os nossos objetivos de negócio para aumentar o conhecimento do que somos, um supermercado para todos. Além disso, a aposta no crescimento da nossa loja on-line e no lançamento do cartão cliente continuarão a ser uma das nossas prioridades para este ano. Contamos com a Taylor para nos ajudar a alcançar os melhores resultados possíveis”.

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Apple perde mil milhões de dólares por ano com ‘streaming’

Apesar de ter cerca de 45 milhões de subscritores, os conteúdos da Apple representam menos de 1% do total de visualizações provenientes de serviços de ‘streaming’ nos Estados Unidos

A Apple está a perder mais de mil milhões de dólares (€921 milhões) por ano com a Apple TV+, segundo um relatório divulgado pelo site The Information, mas não confirmado oficialmente pela marca. A plataforma de ‘streaming’, lançada no final de 2019, é atualmente o único serviço de subscrição da Apple que não é rentável.

Os últimos cinco anos têm sido de mudança neste setor, com várias empresas de media a registarem perdas avultadas. A Apple investe cerca de 4,5 mil milhões de dólares (€4,1 milhões) em conteúdos para Apple TV+ por ano desde 2019, mas reduziu já esse valor em cerca de 500 milhões no último ano. Apesar de ter cerca de 45 milhões de subscritores, segundo o relatório do The Information, e confirmado por duas fontes anónimas, os conteúdos da Apple representam menos de 1% do total de visualizações provenientes de serviços de streaming nos Estados Unidos.

A Netflix lidera o setor com 301,63 milhões de utilizadores, seguida pela Disney+ (124,6 milhões) e pela Warner Bros Discovery (116,9 milhões).

A Apple, liderada por Tim Cook, mantém um silêncio estratégico sobre o desempenho da Apple TV+. Nos relatórios trimestrais, a plataforma é agrupada sob o termo coletivo ‘serviços’, juntamente com outros serviços de subscrição como Apple Music, Apple Arcade, Apple Fitness, Apple Books, App Store, iCloud ou Apple Pay e outros. Neste capítulo, são registadas receitas de 96 mil milhões de dólares (€88 mil milhões) para o ano fiscal de 2024.

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