Guess What o que vem a seguir
Ao fim de dois anos de existência, a Guess What integrou a Global Health PR, uma network de agências de comunicação especializadas em saúde.

Rui Oliveira Marques
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Ao fim de dois anos de existência, a Guess What integrou a Global Health PR, uma network de agências de comunicação especializadas em saúde. “Um dos objectivos para o segundo ano consistia em estabelecer parcerias de negócio. Uma era para Espanha e encontrámos na Berbés Asociados esse parceiro, que partilha connosco um cliente na área da saúde. A Berbés faz parte da Global Health PR e achou que seria interessante apresentar a nossa candidatura à rede”, relembra Jorge Azevedo, sócio da Guess What. A network, com agências em mais 12 países, está neste momento muito activa na procura de membros nos mercados onde não está presente, nomeadamente nos continentes asiático e europeu. Polónia e Coreia do Sul deverão ser os próximos países a contarem com representantes da rede. Apesar da curta existência da agência, acabou por ser a experiência dos fundadores da Guess What que permitiu receber o sinal verde: “Foi essa a mais-valia. Lançámos em 2004 a MediaHealth enquanto primeira agência especializada em saúde e isso pesou muito. Depois, há o know-how de trabalharmos há 15 anos comunicação em saúde em Portugal”, refere o mesmo responsável.
Em Maio, irá decorrer em Paris o encontro com as agências que integram a network, com uma agenda bem definida: pitchs internacionais e redes sociais. “Os norte-americanos vão trazer as ferramentas ao nível das redes sociais que estão a desenvolver e que poderemos utilizar localmente para potenciar negócio. Houve um boom ao nível do digital PR e nos EUA a dinâmica é totalmente diferente da nossa porque o mercado de saúde permite fazer campanhas direct to consumer. Tem sido uma área muito interessante para explorar, porque se, por um lado, as multinacionais estão muito atentas a esta área, estão também muito receosas”, diz Jorge Azevedo. A reunião magna servirá ao mesmo tempo para alinhar agulhas para que a Global Health PR entre na disputa de contas de dimensão internacional. “O objectivo é ter uma rede global de agências independentes que consiga concorrer ao nível das agências multinacionais quando são, por exemplo, convocadas para um projecto pan-europeu ou mesmo mundial.” As agências dos vários países devem na fase de concurso pensar em projectos próprios para os seus mercados de forma a implementar a máxima Thinking Local, Acting Global. “Podemos influir numa fase mais inicial dos projectos”, refere o mesmo sócio. “É a nível internacional que se definem as linhas com que as filiais locais têm de se coser. Vai ser importante ter a possibilidade de participar no processo de selecção que é anterior ao processo de selecção local.”
É a partir dos contactos internacionais que a Guess What espera conseguir desenvolver negócio. “Tivemos um parceiro que nos solicitou uma proposta para Espanha e uma análise do mercado brasileiro onde a Global Health está presente”, conta Jorge Azevedo. Nestes dois anos de existência da agência, Renato Póvoas reconhece que o mercado de empresas especializadas em saúde ficou mais competitivo: “É uma área muito apelativa. Enquanto há uns anos havia um conjunto de players muito restrito, hoje a oferta de agências com departamento específicos a trabalhar esta área é bem maior. Trabalhamos saúde há muitos anos mas torna-se num desafio grande para aumentar a carteira de clientes.” Mesmo assim, a agência fechou 2009 com uma facturação de 480 mil euros, dos quais 60 por cento estavam alocados a clientes da área da saúde, e espera chegar ao fim de 2010 nos 800 mil euros graças à implementação de vários eventos que tem em carteira. A Guess What que trabalha, entre outros, Badoca Safari Park, Oriflame, Compuware, Grupo Roques, Vatel, Instituto Piaget, Gasin, Biogen, UCB Pharma e Roche Farmacêutica, acabou também de contratar Sofia Farinha (ex-Porter Novelli) e Paula Ferreira Fernandes. Vai ser um ano fácil? “Este desempenho só é possível graças a muito trabalho e dedicação e a ter pessoas válidas”, diz Renato Póvoas. Numa área em que é preciso saber comunicar para o público em geral, médicos, doentes, entidades governamentais, stakeholders, a selecção de agências “é feita tentando reconhecer o know-how que as empresas apresentam”, refere Jorge Azevedo. “As multinacionais escolhem players que não se desviem muito da dinâmica e do conhecimento desta área porque pode significar uma maior dificuldade em um medicamento entrar no mercado. Temos uma dinâmica muito complexa: quem esta na administração dos hospitais, os genéricos, o peso do Serviço Nacional de Saúde e o controlo dos gastos para medicamentos inovadores…”, continua.
A atenção que os media dão a temas relacionados com a saúde também tem contribuído para conseguir dar visibilidade aos clientes. Exemplo disso é o Projecto FAMA da Sanofi-Aventis, que consistiu em 10 mil testes para avaliar a prevalência da fibrilhação auricular, que consistiam em electrocardiogramas em casa dos portugueses, e que rendeu 152 notícias e 31 peças televisivas. Também para a Natur House, num projecto de rastreio da obesidade na praia da Torre, em Oeiras, a empresa de nutrição e dietética conseguiu um retorno de 3,7 milhões de euros, ao qual não são alheias as 15 peças transmitidas na televisão e as 42 notícias publicadas na imprensa. No entanto, apesar de a área de saúde ser das que “mais potencia as vendas, mas não tem editorias próprias e continua inserida na sociedade”, constata Jorge Azevedo.