“Gostamos da ideia de subversão” dizem Fernando Silva e Pedro Barroso da Uzina
A dupla Pedro Barroso (diretor de arte) e Fernando Silva (copywriter), da agência Uzina, destaca a campanha “Rob it to get it” da Distance, marca que já tinha visto a […]

Cristina Dias Neves
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A dupla Pedro Barroso (diretor de arte) e Fernando Silva (copywriter), da agência Uzina, destaca a campanha “Rob it to get it” da Distance, marca que já tinha visto a sua campanha “Outlaw runners” ganhar prémios em alguns dos maiores festivais de criatividade do mundo.
Qual é a campanha que gostariam de ter feito?
Não é uma pergunta fácil, porque, sendo dois, há umas quantas campanhas que gostávamos de ter feito. Contudo, queríamos destacar uma ideia que agrada bastante a ambos por várias razões: a campanha “Rob it to get it” da Distance, uma marca especializada em desporto sediada em Paris. De forma resumida, o projeto da autoria da agência BETC, incentiva o público a dirigir-se a uma loja da marca e roubar um artigo para poder ficar com ele gratuitamente. Isto, claro, se conseguirem ser rápidos e fugir da loja com o artigo perante uma perseguição feita por Méba-Mickaël Zeze, um dos mais rápidos velocistas franceses, especialista nos 100 e 200 metros.
Ficha técnica
Campaign: “Rob it to get It”
Brand: Distance
Brand managers: Guillaume Pontier e Lionel Jagorel
Ad agency: BETC Paris
Agency managers: Mathieu Laugier e Damien ClanetPresident and chief creative officer: Stephane Xiberras
Art director: Jeremy Treccani
Copywriter: Corentin Salignat
Production company: Soldats
Director: Victor Sellier
O que chamou a atenção nesta campanha?
Há nesta ideia uma subversão das regras de que gostamos muito. Todos sabemos que roubar é crime, porém o furto em lojas — como é demonstrado nesta ação — está, de alguma forma, associado a uma adrenalina e rebeldia típica da juventude. A audácia de desafiar o consumidor a cometer este delito como percursor de emoção para posicionar a marca junto do target mais jovem com interesse por desporto é simplesmente cativante. A Distance, aliás, já tinha feito outra belíssima ação onde incentivava a quebrar a lei na campanha “Outlaw runners”. Em ambas, acresce o facto de que, sendo uma marca de desporto, conseguem um objetivo fundamental: pôr as pessoas a correr. Este espírito de ir contra o que é expectável para os interesses da marca tem uma coragem que geralmente dá bons resultados e que está também presente noutras ideias, como é o caso da Diesel com a campanha “Enjoy before returning”. O ADN guerrilheiro, especialmente de marcas que têm uma concorrência feroz, encanta-nos.
Esta campanha deu-vos ideias/inspiração para outros trabalhos?
Tentamos sempre tirar qualquer coisa das campanhas de que gostamos e também das que não gostamos. Neste caso, a campanha inspira-nos bastante pela coragem e contracorrente que representa. Indiretamente, incentiva-nos a largar algumas ideias mais convencionais e a procurar outros registos mais desformatados, com maior enfoque na experiência de marca, que caracterizem melhor o trabalho que mais gostamos de fazer e nos dá mais prazer de ver realizado.
Qual a campanha que mais se orgulham de ter feito?
Temos alguns projetos de que nos orgulhamos bastante. Contudo, num passado recente tivemos oportunidade de criar uma ideia 360 para uma marca de eleição para a maior parte dos criativos — que é a Ikea — e da qual nos orgulhamos muito. A campanha “O design é para todos” tem muitos ingredientes daquilo que procuramos fazer: um insight forte, uma ideia que diz algo às pessoas, várias disciplinas envolvidas e, claro, resultados para a marca. O ponto de partida foi uma notícia com 20 anos, que continua a ser repetida em todo o mundo e que assegura que “um em cada 10 europeus foi concebido numa cama Ikea”. Ora, nós descobrimos que este número e, portanto, a notícia eram falsos. Apesar disso, ninguém parecia questionar a sua veracidade.
Porquê? Porque era bem provável que assim fosse dada a popularidade e acessibilidade que caracterizam a marca. Esta era a maior prova que podíamos ter de que, na Ikea, “O design é para todos”. A partir daqui, lançámos uma campanha integrada com esta e outras estatísticas prováveis. A conversa que começámos acabou por levar à criação de uma sondagem nacional com milhares de participações numa ideia que durou mais de seis meses, tendo sido depois reconhecida em festivais nacionais e internacionais.