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Estas cabeças estiveram a prémio em 2022

É tempo de virar os holofotes para as equipas, conhecer as cabeças por detrás das melhores ideias de 2022 e colocar na mira os rostos de quem dá o corpo às balas pelas agências e produtoras que mais se destacaram nas áreas da criatividade, design, meios, comunicação e produção. Tempo também de dar a palavra aos profissionais do setor, que partilham desejos e expectativas para 2023, os conselhos que deixariam às marcas e os principais desafios que antecipam para o novo ano

Pedro Durães
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Estas cabeças estiveram a prémio em 2022

É tempo de virar os holofotes para as equipas, conhecer as cabeças por detrás das melhores ideias de 2022 e colocar na mira os rostos de quem dá o corpo às balas pelas agências e produtoras que mais se destacaram nas áreas da criatividade, design, meios, comunicação e produção. Tempo também de dar a palavra aos profissionais do setor, que partilham desejos e expectativas para 2023, os conselhos que deixariam às marcas e os principais desafios que antecipam para o novo ano

Pedro Durães
Sobre o autor
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Após dois anos desafiantes, 2022 esteve longe de ser um ano sem obstáculos para superar. Mas é nestes momentos que fica (ainda mais) evidente o poder das grandes ideias. Isso ficou claro num ano com vários projetos que permitiram à criatividade nacional, não só brilhar nos principais festivais em Portugal, mas também regressar aos grandes palcos internacionais, com destaque para uma das melhores performances de sempre em Cannes. Motivos de sobra para conhecer as cabeças por detrás das melhores ideias. Como já vem sendo tradição no M&P, é tempo de virar os holofotes para as equipas e colocar na mira os rostos de quem dá o corpo às balas pelas agências e produtoras que mais se destacaram nas áreas da criatividade, design, meios, comunicação e produção. Tempo também de dar a palavra aos profissionais do setor, que partilham desejos e expectativas para 2023, os conselhos que deixariam às marcas e os principais desafios que antecipam para o próximo ano.

Criatividade
BAR Ogilvy
A agência liderada por Miguel Ralha e José Bomtempo venceu o principal troféu nos Prémios Criatividade M&P. O Grande Prémio foi alcançado graças a Breaking Sirens, campanha desenvolvida pela BAR Ogilvy para a Amnistia Internacional em parceria com o Meo, num trabalho que se afirmou como um dos projetos nacionais que mais se destacaram nos principais festivais de criatividade em 2022, não só em Portugal mas também a nível internacional, tendo chegado a leão de ouro no festival Cannes Lions.
“Começo por dizer que quando a essência do nosso trabalho é a criatividade, é bom que o nosso principal objetivo seja garantir que essa criatividade está sempre ao mais alto nível. Por isso, 2023 começa com o desafio de não baixarmos o resultado alcançado em 2022 pela criatividade portuguesa. Foi sem dúvida o nosso melhor ano de sempre, que, no mínimo, é para manter.
2023 vai ser também um ano desafiante para as marcas, onde se esperam tempos difíceis, com a ressaca da covid-19, com a guerra na Ucrânia, que não tem um fim à vista, e com toda a contração da economia, fruto do aumento galopante da inflação, das taxas de juro e da mais do que evidente redução do poder de compra. As marcas vão precisar de estar ao lado dos seus consumidores, com soluções e propostas de valor que acompanhem as suas necessidades. Para todos nós, que diariamente trabalhamos neste mercado, desejo que 2023 seja um ano cheio de criatividade e que consigamos, com essa criatividade, alcançar os nossos objetivos”, Miguel Ralha, CEO da BAR Ogilvy

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FCB Lisboa
Pela primeira vez na história do festival Cannes Lions, uma agência portuguesa ganhou o prémio máximo numa categoria. O primeiro grand prix em Cannes, feito alcançado pela FCB Lisboa na categoria de Design, seria o pontapé de saída para um palmarés internacional que não parou de aumentar até chegarmos ao final de 2022. O grande prémio foi repetido nos festivais Mad Stars, El Ojo e Eurobest, confirmando a FCB Lisboa como a agência nacional que mais se destacou nos palcos internacionais ao longo deste ano. Em causa está o projeto Reconstituição Portuguesa, desenvolvido para a Penguin Random House Portugal, que somou ainda ouro nos Epica Awards, além de um bronze nos LIA. No El Ojo, festival ibero-americano onde a FCB Lisboa se tornou igualmente a primeira agência portuguesa a vencer um Gran Ojo, o desempenho alcançado com este trabalho garantiu ainda à equipa liderada por Edson Athayde os principais prémios na categoria El Ojo Local, com as distinções de Melhor Agência no mercado português, Melhor Ideia e Melhor Criativo, para Viton Araújo e Diego Tórgo, com contributo decisivo para o prémio de Melhor Anunciante de Portugal, atribuído à Penguin Random House.
“No começo de 2022, respondendo a uma questão parecida com a de agora (o que esperar do novo ano), afirmei que era a hora do ‘Re’. Do ‘refazer’, ‘repensar’, ‘redescobrir’, enfim, de uma série de verbos bons para conjugar num mundo ávido para recomeçar. Tentámos colocar essa ideia em prática na nossa empresa. O que, como todos sabem, nunca é fácil. Rever coisas e processos dá trabalho. Redefinir o seu foco, a sua posição de mercado, os seus objetivos, gera stress, consome energias, obriga a sair da sua zona de conforto. Foi o que fizemos. É o que estamos a fazer. Estamos a preparar a FCB Lisboa de 2023, mas também a de 2033. Isto faz o ‘Re’ continuar a ser importante enquanto filosofia de vida. Essa visão acaba por ser muito parecida com o slogan mundial da FCB: #NeverFinished. ‘Nunca Acabar’, no caso, não quer dizer deixar por fazer. Ao contrário, significa não dormir à sombra da bananeira. Indica desejo de encontrar novas maneiras, novos jeitos de fazer as coisas. Ou de fazer outras coisas, usar outros saberes. Ou como diria o meu Tio Olavo: ‘Nada é permanente, a não ser a mudança’”, Edson Athayde, CEO e COO da FCB Lisboa

O Escritório
Pelo terceiro ano consecutivo, a agência fundada por Nuno Jerónimo e Tiago Canas Mendes saiu dos Prémios Eficácia com o título de Agência Criativa do Ano.
“Nada como uma edição especial sobre as agências mais premiadas para recordar que para uma agência os prémios não são o mais importante. Pelo menos para esta. Para O Escritório, o mais importante é termos boas pessoas, bons clientes e boas ideias. A nossa expectativa para 2023 é simplesmente continuarmos a ter ideias capazes de entusiasmar as nossas pessoas e os nossos clientes. Não somos de dar conselhos a ninguém, mas o desejo de ano novo que deixamos – não apenas às marcas mas a todos os protagonistas do mercado – é que, apesar dos algoritmos, do ritmos das redes sociais e da vontade de ter opinião sobre tudo, não subestimem aquele que é o bem mais valioso e escasso para a indústria criativa, mas também para a humanidade: o tempo para pensar”, Nuno Jerónimo e Tiago Canas Mendes, fundadores de O Escritório

Partners
A Partners conquistou, pelo terceiro ano consecutivo, o título de Agência Criativa do Ano nos Prémios Marketing M&P. Com o projeto The Unwanted Shapes – Covid Edition, a agência agora detida pelo grupo Dentsu fez o pleno nesta edição e conquistou também o Grande Prémio.
“2003 a 2022! 20 anos, duas décadas, uma Partners. Não temos espaço neste artigo para agradecer a todos os que aqui trabalham e trabalharam. Não temos espaço para dedicar muitas palavras a todos os nossos clientes com quem fizemos acontecer muita coisa boa. Nem para todos aqueles que foram e são nossos parceiros nesta fascinante indústria e que nunca tiveram medo de mudar, de nos mudar, de mudar o setor; que acreditaram e confiaram, uma e outra vez, no ‘fora da caixa’, no ‘unfollow’ e no ‘trust risk’. Não temos espaço para contar histórias, ideias, prémios, alegrias, tristezas, ansiedades, gritos, risos… Mas temos espaço de sobra para deixar uma palavra que significa tudo aquilo que, como fundadores, sentimos e queremos escrever nas várias línguas de todos os países por onde deixámos, e queremos continuar a deixar, a marca criativa da Partners: Obrigado, gracias, merci, thank you, danke, spacibo, xiéxie… arigatô”, Tomás Froes, CEO da Partners

Stream and Tough Guy
Três anos após ter sido fundada, a agência de João Ribeiro e Miguel Durão teve em 2022 o seu ano de afirmação no mercado ao somar dois títulos de Agência do Ano, um no festival do Clube de Criativos de Portugal e outro nos Prémios Criatividade M&P. Com vários trabalhos premiados, acabaria por ser o projeto CO2AT, desenvolvido em parceria com a This is Pacifica, a assumir maior protagonismo como um dos cases nacionais com melhores resultados a nível nacional e internacional ao somar dois Grandes Prémios, um nos Eficácia e outro nos APPM Marketing Awards, além de um ouro no festival Cannes Lions.
“A guerra, a inflação, a diminuição do poder de compra e a consequente angústia da incerteza que embrulha 2023 fazem com que se antecipe que o próximo ano venha a ser pior do que os anteriores. Mas não é assim todos os anos? Não nos recordamos de vez alguma termos lido ou ouvido projeções em que se previsse com convicção, mais do que por ténue esperança ou otimismo descabido, que os tempos que se avizinhavam fossem períodos de ostentação, folgas orçamentais ou margem para arriscar. As estratégias de marketing assentes em tendências tendem, passe a redundância, a ser demasiado conservadoras. Diz-nos a experiência que, algures no último trimestre, se tenta aproveitar o budget que (afinal) sobrou para uma iniciativa extra plano.
O desejo da Stream and Tough Guy para 2023 é que se siga mais o instinto, porque os relatórios de intelligence, pese embora sejam um conhecimento privilegiado, só o são até certo ponto, pois toda a indústria tem acesso aos mesmos dados, de uma forma ou de outra. Quanto ao instinto, ele não é copiável nem previsível. A melhor vantagem competitiva para os responsáveis de marca é a de fazerem algo que não se está à espera enquanto todos os outros estão na expectativa de uma certeza que nunca chegará em tempo útil de fazer a diferença. Por tudo isto, fazemos votos para que 2023 seja o ano dos e das Irresponsáveis de Marketing”, João Ribeiro, managing partner da Stream and Tough Guy

The Walt Disney Company Portugal
Após projetos como Estreia-te e Intervalo, a campanha Fox The Scroll valeu à equipa criativa in-house da The Walt Disney Company Portugal, pelo terceiro ano consecutivo, a distinção máxima nos Prémios M&P Criatividade em Autopromoções. Este ano, além do Grande Prémio, o trabalho desenvolvido pela equipa liderada por Hellington Vieira em diversos projetos, como Relicário e Cowboy Fashion Week, os únicos trabalhos nacionais distinguidos internacionalmente nos Promax Awards, levou a The Walt Disney Company a ser eleita Empresa de Media do Ano nos Prémios M&P Criatividade em Autopromoções & Inovação em Media.
“Temos apenas uma grande previsão para o próximo ano: 2023 será imprevisível. Algumas das mais bem reputadas previsões dos anos anteriores tiveram em comum o facto de que estavam erradas. Nada prevê que em 2023 isto seja diferente. Então, não será melhor aprendermos a lidar com a imprevisibilidade? Em vez de confiar em cenários rígidos, as marcas devem estar preparadas para a fluidez”, Hellington Vieira, creative director da The Walt Disney Company Portugal

Uzina
Tens-me na Mão, projeto criado pela Uzina para a Samsung, esteve na origem de um déjà vu para agência e anunciante no festival do Clube de Criativos de Portugal. Após terem conquistado no último ano o Grande Prémio com O Ídolo, voltaram a subir ao palco para receber o troféu para o melhor trabalho em competição na edição deste ano. A Uzina acabaria por ser eleita Agência do Ano nas categorias de Publicidade, Digital e Integração e Inovação, nesta última ex aequo com a Stream and Tough Guy, títulos a que somou ainda o de Agência Criativa do Ano na primeira edição dos APPM Marketing Awards.
“Guerra na Europa, alterações climáticas, ODS, inflação, quebra do poder de compra, quebras de investimento, fragmentação dos media, global versus local, estratégico versus tático, ROI, propósito de marca, greenwashing, teletrabalho versus presencial, saúde mental, inteligência artificial, metaverso e NFTs, criptomoedas e Web 3.0, TikTok, o fim das redes sociais, branded content, content creators, influencers, performance, métricas, fuga de talentos e tanto mais. Como navegar por este mapa sem perder o Norte? Deixo aqui um desejo pessoal, que também pode ser útil para marcas e organizações. Que em 2023 nos consigamos adaptar à mudança, mas sem querer ser o que não somos. Como supostamente disse Oscar Wilde: “Seja você mesmo, porque todos os outros já existem.” E sermos uma boa versão de nós próprios já dá bastante trabalho”, Susana Albuquerque, partner e diretora criativa executiva da Uzina

Design
Deadinbeirute
Com o projeto Cadáver Esquisito, a agência esteve em destaque nos Prémios Design M&P ao conquistar o Grande Prémio. Pelo Clube de Criativos, a Deadinbeirute foi também eleita Agência do Ano na categoria de Design.
“As marcas mais valiosas arriscam. Não têm medo de seguir um caminho menos convencional. Não são iguais às outras. Distinguem-se pela sua vitalidade. Pela sua capacidade de se exporem nos contextos certos. Nos contextos onde podem exprimir o seu verdadeiro caráter. Onde a sua honestidade é plena. Onde são capazes de inspirar. Tornando-se importantes e ligadas às pessoas que as amam. Esta atitude não está, na maioria das vezes, ligada àquilo que a sociedade declara como conveniente, como exemplar ou até como expectável. Num mundo toldado pelo medo e pelo cancelamento, sabemos que é mais fácil ceder às tendências, à alegoria, à falácia do ‘fazer o bem’, deixando de lado a essência, a poesia e o caráter. Ter um impacto positivo na sociedade e no mundo não está limitado a códigos mais ou menos estipulados e previstos. Está antes circunscrito ao risco. Ao assumir a verdade, ou a busca pela mesma, com o fim de criar um valor intemporal. É aqui que reside o valor das marcas. É aqui que queremos estar em 2023. A assumir riscos e a criar marcas e produtos cujo valor resista ao tempo e que o seu impacto seja relevante, honesto e verdadeiro de acordo com o seu contexto”, Marko Rosalline, fundador e diretor criativo executivo da Deadinbeirute

This is Pacifica
CO2AT, projeto desenvolvido em parceria com a Stream and Tough Guy para a marca Azgard9, valeu à agência de design do Porto dois Grandes Prémios, um nos Eficácia e outro nos APPM Marketing Awards, além de um Pencil Award no D&AD, um ouro no The One Show e três leões, um deles igualmente ouro, no festival Cannes Lions.
“2022 foi um ano vintage e, tal como acontece no vinho do Porto, a definição vintage acontece num ano considerado monumental, de exceção, e para ser preservado para consumo nos próximos anos. 2022 trouxe-nos três leões no Cannes Lions International Festival of Creativity, trouxe o nosso primeiro Pencil Awards no D&AD e também o primeiro prémio no The One Show com um ouro. Trouxe também Grand Prix nos Prémios Eficácia e nos prémios da APPM (Associação Portuguesa de Profissionais de Marketing) e, mais do que isso, consolidou e projetou o trabalho da This is Pacifica internacionalmente.
Mas, por muito que celebremos o ano que passa, estamos com uma enorme vontade de entrar no ano que aí vem. E já sabemos muito sobre 2023, porque já estamos a trabalhar há vários meses nele. Em 2023 vamos iniciar projetos que ficaram já adjudicados em 2022, alguns que, acreditamos, podem fazer deste um ano também de exceção. Em 2023 vamos apresentar projetos que ficaram prontos em 2022 (incluindo um com impacto europeu) e que só podemos mostrar no decorrer do ano. Em 2023 vamos começar projetos em que vamos poder transformar marcas, serviços e produtos ajustando-os às necessidades e exigências de desafios como o da sustentabilidade (em que estamos empenhados em marcar a diferença e investir em formação e implementação de eco-design). Em 2023 vamos fazer projetos da This is Pacifica que já não cabem dentro da This is Pacifica. Estamos a lançar um novo projeto chamado Prática of Pacifica, workshops desenhados para crianças com início em janeiro de 2023. Em 2023 queremos juntar equipas capazes de mudar o mundo, clientes, marcas, produtos e ideias de transformação, de ativismo, de causas, emoções e narrativas com nervo e coração”, Filipe Mesquita, fundador e diretor criativo da This is Pacifica

VMLY&R Branding
A unidade de design da VMLY&R Portugal foi eleita Agência do Ano nos Prémios Design M&P.
“Nos últimos anos, muito se tem falado de transformação digital e, para 2023, esse pensamento continuará na ordem do dia. Contudo, acreditamos que a palavra ‘digital’ deveria ser abolida do léxico da comunicação. Hoje em dia, a forma como se pensa, cria e desenvolve uma marca tem que passar por uma atitude transversal e consistente, independentemente de ‘onde’ se comunica. Sobretudo considerando que a comunicação está cada vez mais fragmentada entre meios tradicionais, digitais, virtuais, macro ou micro targets… Para 2023, e numa altura em que grande parte das marcas vive momentos de incerteza potenciados pela inflação, crise, guerra, o sistema de identidade das marcas, sustentado num posicionamento sólido e, sobretudo, verdadeiro, assume um papel preponderante no mundo multicanal em que vivemos. É a base que garante que todos os que respiram a marca, dos colaboradores aos parceiros, têm as ferramentas necessárias para comunicar de forma integrada, seja em que momento/meio for. Manterem-se fiéis ao compromisso do que cada marca representa e ao seu posicionamento permitirá aos decisores mais facilmente definir como se apresentam nos diferentes canais e em quais faz sentido estar. Venha 2023”, Rodrigo Freixo, CEO da VMLY&R

Meios
Havas Media
Para a agência de meios do grupo Havas, 2022 começou como 2021. E como 2020. Pelo terceiro ano consecutivo, a agência liderada por Rita Amzalak repetiu o titulo de Agência de Meios do Ano nos Prémios Marketing M&P.
“Estamos todos convocados! Entramos em 2023 conscientes e alinhados com o que se espera de nós. Temos todos de fazer mais e melhor, porque a sustentabilidade é hoje um pilar central na estratégia das marcas e um indicador de progresso, mas uma escolha menos óbvia para os consumidores quando entram em jogo crescentes restrições financeiras. Estudos recentes dizem-nos que as pessoas esperam mais das marcas, nesta transformação, do que aquilo que esperam do seu próprio governo. Efetivamente, e de acordo com dados MB, 83 por cento dos consumidores acreditam que as marcas devem estar ativamente envolvidas na resolução de problemas sociais e ambientais. As marcas estão a acelerar o seu contributo e a comunicação tem o seu papel no envolvimento das comunidades. É aqui que os desafios na área do talento e da data transitam para o novo ano com uma importância crescente. As marcas têm hoje uma pool de data diversificada que deveria permitir a extração de insights, gerando conhecimento. Porém, tornar esta data acionável continua a ser um grande desafio, mas também um caminho para tornar a comunicação mais relevante, permitindo conectar pessoas com comportamentos e padrões de consumo mais sustentáveis. Esta evolução exige também novos perfis e competências nas equipas, o que torna a requalificação e integração de novos talentos uma condição”, Rita Amzalak, managing partner da Havas Media

Initiative
A agência do grupo IPG/Mediabrands fez o bis este ano. Ao título de Agência de Meios do Ano na primeira edição dos APPM Marketing Awards, somou no último mês a mesma distinção nos Prémios Eficácia, onde foi considerada a agência de meios mais eficaz no mercado nacional.
“2023 vai ser um ano de oportunidades para as marcas que decidirem manter a sua estratégia de investimentos e crescimento de negócio. Para as restantes, nomeadamente as que desinvestirem, vão acabar por ver a sua posição de mercado ‘ameaçada’. Teremos um ano muito condicionado pelo contexto macroeconómico, nomeadamente em função do nível de inflação e dos seus efeitos no consumo. Prevemos um crescimento global de três por cento vs 2022, proveniente do reforço de atividade de alguns setores tais como o retalho, alimentação, bebidas, higiene pessoal (para contrariar contenção consumo e trade down de marcas fabricante para marcas distribuidor), imobiliário, entretenimento, turismo, eletrónica de consumo/telco (para contrariar adiamento compras bens e serviços não essenciais e incentivar consumo fora de casa) e, por fim, banca/crédito/seguros (para responder à crescente competição entre os players). A tendência de investimento dos últimos anos deverá manter-se com a TV a captar a maior fatia dos budgets, o digital a continuar a ser o principal motor de crescimento. Nos meios offline, o exterior alavancado pela sua digitalização, e a rádio vão registar um crescimento moderado. Por fim, a imprensa a manter uma trajetória de decréscimo. Será um ano para as marcas serem ainda mais eficazes e mais inteligentes na forma como investem e medem o respetivo retorno, este tem sido o grande foco da Initiative nos últimos anos, premiado recentemente com a agência do ano nos Prémios Eficácia. 2023 será um ano onde ter parceiros que priorizem a eficácia vai fazer toda a diferença. Citando Churchil, “o pessimista vê dificuldade em cada oportunidade, o otimista vê oportunidade em cada dificuldade”, Rui Freire, managing director da Initiative

Comunicação
Adagietto
A agência liderada por Miguel Moreira Rato foi eleita Agência de Comunicação do Ano na primeira edição dos APPM Marketing Awards.
“Deixemo-nos de m****s. É este o mote da Adagietto para 2023. Num 2023 que traz uma grande dose de incerteza e uma pequena dose de novas tendências, a receita é simplificar. Não vale a pena reinventar a roda, procurar novos conceitos, redistribuir focos ou repensar visões. Deixemo-nos disso. Deixemo-nos de tentar encurtar ciclos por acharmos que o que aí vem vai ser transformacional. Deixemo-nos de m****s. Em 2023 queremos continuar a olhar para projetos de comunicação com uma visão holística, sem rótulos e sem preconceitos. Queremos continuar a ser ágeis e enxutos. Os clientes não querem, nem podem, esperar semanas por ideias que chegam formatadas a um canal específico. Nem podem continuar a falar com várias pessoas/agências para uma campanha só. Não há tempo para quem não for ágil, nem tempo para quem não for enxuto. Num mundo sem rótulos, que já se vive neste momento apesar de tantos não perceberem, qual a vantagem de uma marca lançar uma campanha e distribuir o seu briefing por várias agências dependendo da expertise que pensam que essas agências têm? Qual a vantagem, tanto para a marca como para o consumidor? Nenhuma, certo? Qual a vantagem para quem trabalha nas agências e tem a oportunidade de se tornar verdadeiramente completo? Todas, certo? Acreditamos muito nisto. E é por isso temos vindo a crescer. Sem rótulos. Enxutos e ágeis. Venha daí 2023”, Miguel Moreira Rato, CEO da Adagietto

Corpcom
O título de Agência do Ano nos Prémios Comunicação M&P voltou a ficar nas mãos da agência liderada por José Franco.
“2023 será o primeiro de alguns anos em que haverá uma crise económica transversal a todas as indústrias. Vai haver retração de consumo, mais custos e incerteza, pelo que será natural que as marcas comecem a redefinir os orçamentos, bem como a reorganizar e reestruturar equipas. Já começamos a ver os maiores empregadores do mundo a fazer cortes. Porém, no caso da comunicação, acredito que o exemplo dos dois anos anteriores, marcados por uma forte pandemia, permitiu que os decisores empresariais e gestores de marcas reconhecessem o poder da comunicação e das relações públicas, com todos os seus diferentes públicos, incluindo internos. Em épocas de crise, a comunicação é a ferramenta mais poderosa das empresas, não reagindo em modo de comunicação de crise, mas agindo e antecipando os problemas que possam vir a surgir, comunicando de forma estruturada e ágil com os diferentes stakeholders. Vai ser crítica essa antecipação e preparação. A nível de tendências, não será muito diferente, com a comunicação digital a ganhar mais força e o ESG a ter mais evidência em algumas empresas, provavelmente com o tema social mais em evidência pois a atual conjuntura não é, de todo, positiva: aumento do custo do dinheiro, inflação alta, aumento de custos para as empresas, desemprego e instabilidade nos mercados internacionais. Continuo a defender que, tal como na nossa vida, é nos momentos mais desafiantes que as marcas se podem evidenciar ao mostrar o seu valor e propósito. Sem comunicação e autenticidade na mesma, tal não será possível. É para isso que cá estamos, e é por isso que acho que será positivo para a indústria das relações públicas”, José Franco, managing partner da Corpcom

Produção
78
Pelo segundo ano consecutivo, a produtora, que tem como sócios João Marques e Nuno Alberto, saiu do festival do Clube de Criativos de Portugal com o título de Produtora de Imagem do Ano. Só que ao contrário do último ano, em que dividiu a distinção com a Krypton, desta vez ficou com todo o protagonismo e viria mesmo a repeti-lo na edição deste ano dos Prémios Criatividade M&P, onde foi igualmente eleita Produtora do Ano.
“2023 avizinha-se mais um ano incerto na produção de publicidade em Portugal. Mas que ano até agora não foi incerto? Já é típico no nosso meio chegarmos próximos do final do ano e depararmo-nos com essa questão, mas a verdade é que arranjamos sempre formas de adaptação ao mercado, seja ele com pouco ou muito trabalho. Tudo está mais caro e mais difícil, será sem dúvida mais um ano desafiante onde já estamos de mangas arregaçadas. Mais uma vez esperamos que as marcas não tenham medo de arriscar em termos de criatividade e que proporcionem espaço para ideias arrojadas e criativas às agências. Podemos ser um país de excelentes ideias e produções, temos bons criativos e boas produtoras, muito talento mesmo. Esperamos que as agências se divirtam a fazer filmes e estejam motivadas a filmar com um sorriso no rosto. Adoramos pessoas e desejamos a todos um ano incrível de 2023. Sejam arrojados e curtam a vida.
Queremos agradecer a todos os que têm feito da 78 uma produtora feliz. A toda a nossa equipa um grande abraço apertado muito sentido porque têm sido inesquecíveis”, João Marques e Nuno Alberto, sócios da 78

Núcleo
E vão quatro. A Núcleo, de Fred Pinto, conquistou pelo quarto ano consecutivo o título de Produtora de Som do Ano no festival do Clube de Criativos de Portugal.
“Para 2023 desejo que todas as marcas continuem a comunicar como têm feito e todas as agências, produtoras e as suas equipas possam trabalhar bem. Pessoalmente, será um ano de investimento para a nossa empresa, com criação de novos postos de trabalho e investimento em novo material, para dessa forma podermos continuar também a fazer o nosso melhor trabalho e prosseguir o desenvolvimento da empresa. Em nome da Núcleo, resta-me agradecer a todos pelas oportunidades de fazermos o que mais gostamos”, Fred Pinto, fundador da Núcleo

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Hugo Veiga no júri de Titanium do Cannes Lions

O criativo, que conta com cerca de 60 Leões do Festival Internacional de Criatividade de Cannes, vai avaliar projetos que se destaquem pela natureza revolucionária

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Hugo Veiga, cofundador e diretor criativo executivo global da AKQA, integra o júri dos Titanium Lions do Festival Internacional de Criatividade Cannes Lions. O profissional, que regressa a Portugal em fevereiro para liderar a criatividade global da agência do grupo WPP, avalia projetos que se destacam pela sua natureza revolucionária.

“Os Titanium Lions celebram a criatividade revolucionária. O trabalho deve abrir novos caminhos na comunicação de marcas, com um caráter provocador, inovador e inspirador, que marque uma nova direção para a indústria e a faça progredir”, refere a organização do Cannes Lions na página oficial do festival, que terá lugar entre 16 e 20 de junho de 2025.

No currículo, Hugo Veiga conta com cerca de 60 Leões do Festival Internacional de Criatividade de Cannes, entre os quais se destacam 25 Ouros e quatro Grandes Prémios, com as campanhas ‘Dove Real Beauty Sketches’, ‘Nike Air Max Graffiti Stores’, ‘Bluesman’ e ‘Nike Never Done Evolving feat. Serena’. O criativo, natural do Porto, é distinguido como o melhor redator do ano no Cannes Lions 2013.

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WPP investe em gestão de dados e IA com aquisição da InfoSum

O WPP sublinha que a aquisição da InfoSum faz parte de um plano contínuo para deixar de se basear em gráficos de identificação, que ligam o email, o telefone, os cookies e outras fontes de dados para criar perfis de clientes de que as marcas podem tirar partido

O WPP adquire a InfoSum, empresa britânica de tecnologia e gestão de dados, para complementar o portefólio de ativos focados em dados, que pretende combinar com inteligência artificial (IA) para ajudar os clientes a alcançar os consumidores com maior eficácia.
A empresa, que conta com 65 colaboradores, foi avaliada em cerca de 300 milhões de dólares (€269,9 milhões) em 2021 e passa a estar sob a alçada do GroupM.

Nos termos do acordo, cujo valor não é adiantado, a InfoSum mantém a denominação e a estrutura atuais, e continuará a trabalhar com outras ‘holdings’. Brian Lesser, CEO do GroupM, salienta que a aquisição permite ao WPP disponibilizar uma solução de dados completa aos clientes, integrada no grupo.

“A integração direta da rede global de dados da InfoSum permite aos nossos clientes criar ainda mais valor a partir dos seus dados primários e permite-nos treinar os modelos de IA dos clientes com base na maior quantidade de dados e locais, a uma escala e velocidade sem precedentes”, esclarece Brian Lesser, em comunicado de imprensa.

Esta aquisição é a mais recente de uma corrida aos dados entre as principais ‘holdings’ de publicidade. Em março, o Publicis Groupe adquire a Lotame, plataforma norte-americana de gestão de dados, numa aposta que Arthur Sadoun, CEO do Publicis Groupe, considera fundamental para reforçar a capacidade da empresa de identificar e atingir os consumidores a nível mundial.

O WPP sublinha que a aquisição da InfoSum faz parte de um plano contínuo para deixar de se basear em gráficos de identificação, que ligam o ’email’, o telefone, os ‘cookies’ e outras fontes de dados para criar perfis de clientes de que as marcas podem tirar partido. Mark Read, CEO do WPP, revela que o grupo está a adotar um modelo de aprendizagem mais integrado, que se concentra em manter os dados dos consumidores anónimos e num único local, sem deixar de fornecer ‘insights’ sobre os consumidores.

Além das capacidades de proteção da privacidade, a InfoSum também tem acesso a dados provenientes de grandes plataformas de consumo, como o Channel 4, a DirecTV, a ITV, a Netflix, a News Corp e a Samsung Ads, de grandes retalhistas e de 5 mil milhões de pontos de contacto, através de parceiros como a Circana, a Experian, a Dynata, a NCSolutions e a TransUnion. Estes dados vão ser combinados com a atual base de dados do WPP para potenciar o WPP Open, a solução de IA integrada do grupo.

Sobre o autorDaniel Monteiro Rahman

Daniel Monteiro Rahman

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Roblox associa-se à Google para tornar anúncios mais imersivos

A parceria com a Roblox (na foto) tem como objetivo tornar a publicidade mais atrativa para a geração Z e acontece numa altura em que a Google aumenta a oferta geral de anúncios imersivos

A Roblox acaba de se associar à Google para tornar mais imersivos os anúncios exibidos na plataforma de videojogos. Além de querer aumentar a oferta, a intenção é tornar a publicidade mais atrativa para a geração Z. A aliança permite expandir as soluções que as duas empresas disponibilizam aos anunciantes.

As funcionalidades para os anúncios em vídeo ficam disponíveis no ‘marketplace’ publicitário IAB PlayFronts, para que marcas e agências de meios as possam adquirir programaticamente através das soluções de publicidade do Google e de compra direta, ao longo das próximas semanas.

Até ao outono, a Roblox, que há seis meses também estabeleceu um acordo com o WPP para se aproximar da geração Z, pretende adicionar mais formatos imersivos à oferta da ferramenta Google Ad Manager, incluindo para múpis e suportes exteriores digitais, tendo também estabelecido parcerias estratégicas com empresas como a Cint, a DoubleVerify, a IAS, a Kantar e a Nielsen, para reforçar a oferta programática.

O acordo com a Google acontece numa altura em que a empresa tecnológica aumenta a oferta de anúncios imersivos, estendendo-a à empresa AdMob, filial da Google que gere a publicidade móvel em sistemas operativos como o Android, o iOS, o webOS, o Flash Lite e o Windows Phone. A plataforma de promoção publicitária integrada Google Ad Manager também reforça a oferta, aumentando a capacidade de produzir anúncios em vídeo imersivos 2D e 3D.

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OpenAI, Google e Meta querem acesso à propriedade intelectual das marcas

A nova ferramenta da OpenAI torna-se viral pelas recriações exatas de fotografias, ao estilo do estúdio de animação japonês Studio Ghibli (na foto). Embora queiram aproveitar os benefícios e o potencial que a IA generativa fornece, as marcas também precisam de proteger os próprios conteúdos

A OpenAI, a Google e a Meta, entre outras empresas de tecnologia que operam no setor da inteligência artificial (IA), pretendem utilizar de forma mais livre conteúdos protegidos por direitos de autor para treinar os respetivos modelos de IA, noticia a Ad Age.

Embora queiram aproveitar os benefícios e o potencial que a IA generativa fornece, os anunciantes também precisam de proteger os seus próprios conteúdos, que podem ir desde a imagem de marca à propriedade intelectual sob a forma de texto, imagens e vídeos publicados na internet.

Exemplo disso é a nova ferramenta de imagens da OpenAI, que se torna viral pelas recriações exatas de fotografias reais ao estilo do estúdio de animação japonês Studio Ghibli, conhecido por filmes como ‘A Viagem de Chihiro’ e ‘O Castelo Andante’. A ferramenta não só parece ter sido treinada com base nas obras do Studio Ghibli, como também permite gerar imagens impróprias na sua estética, o que compromete mais a empresa. Este fenómeno reflete um futuro em que as marcas podem não ter controlo sobre a forma como o seu conteúdo é utilizado pelas empresas de tecnologia, refere a Ad Age.


À medida que as empresas de IA intensificam esforços para obter acesso ilimitado à propriedade intelectual, os potenciais riscos para os anunciantes estão a tornar-se difíceis de ignorar. Em março, a OpenAI e a Google apresentam à Casa Branca duas propostas distintas, em que descrevem a razão pela qual devem ter o direito de treinar os seus modelos recorrendo a obras protegidas por direitos de autor disponíveis ao público, um conceito que designam como “utilização justa”.

A proposta da Google realça que a utilização justa de materiais protegidos por direitos de autor permitiria “evitar negociações frequentemente muito imprevisíveis, desequilibradas e prolongadas com os detentores dos conteúdos”. O principal argumento apresentado pelas empresas de IA prende-se com o facto de os modelos produzirem conteúdos que consideram ser novos e originais. A Meta apresenta uma posição semelhante junto da Casa Branca.

O dilema das marcas

O dilema com que as marcas se deparam é o facto de as ferramentas de IA se terem tornado extremamente importantes para o seu trabalho criativo e operacional, ao mesmo tempo que enfrentam estes desafios em termos de propriedade intelectual. A opção de abraçar a IA para evitar as suas consequências resume a posição em que as marcas se encontram. O atual quadro jurídico relativo aos direitos de autor está a tornar-se cada vez mais contraditório, o que constitui, segundo os especialistas citados na Ad Age, o aspeto mais preocupante para as marcas.

Ainda de acordo com a Ad Age, vários investigadores preveem que os modelos de IA estão preparados para consumir todos os dados de texto de alta qualidade disponíveis no mundo antes de 2026. Sem quaisquer barreiras que impeçam a utilização de conteúdos protegidos por direitos de autor, as empresas de IA podem em breve expor as marcas a riscos ainda maiores do que aqueles que estas estão atualmente a tentar evitar.

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STCP apela ao uso de transporte público com campanha da Uzina

“O nosso desafio é mudar mentalidades e mostrar que pequenos gestos fazem uma grande diferença”, afirma Pedro Rocha, diretor de comunicação e de relações institucionais da STCP, sobre a nova campanha (na foto)

A Sociedade de Transportes Colectivos do Porto (STCP) apela à utilização do transporte público com uma nova campanha institucional omnicanal, concebida pela Uzina. Intitulada ‘Vá de Autocarro’, tem direção criativa de Sérgio Gomes e direção criativa executiva de Susana Albuquerque.

O objetivo é transformar a forma como os cidadãos encaram e experienciam a mobilidade nas cidades. “Pretendemos incentivar cada pessoa a perceber que a escolha de andar de autocarro não é apenas uma decisão prática e económica, mas também um gesto de cidadania e de respeito pelo ambiente. Cada passageiro que opta pelo transporte público contribui para uma cidade mais fluida, menos poluída e mais conectada. O nosso desafio é mudar mentalidades e mostrar que pequenos gestos fazem uma grande diferença”, explica Pedro Rocha, diretor de comunicação e de relações institucionais da STCP, citado em comunicado de imprensa.

O filme publicitário, com a duração de um minuto e 26 segundos, relata a história de um passageiro que, dez anos depois de ter entrado num autocarro pela última vez, volta a andar de transportes públicos, sendo recebido com entusiasmo pelos passageiros habituais.
Estruturada para atingir um público diversificado, a campanha está a ser divulgada nos meios de comunicação tradicionais, nas plataformas digitais e em espaços urbanos frequentados pelo público-alvo da comunicação.

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Adico equipa pavilhão de Portugal na Expo 2025 Osaka

A cadeira Portuguesa é reinterpretada por Kengo Kuma, que cria o modelo 5008 Osaka (na foto). É “uma peça contemporânea que se dissolve no ambiente, captando a essência de ambas as culturas”, considera o arquiteto japonês

A Adico, marca centenária de mobiliário metálico, leva à  Expo 2025 Osaka a cadeira Portuguesa, ícone do design nacional, numa nova versão reinterpretada por Kengo Kuma, arquiteto japonês autor do pavilhão de Portugal na exposição, que decorre de 13 de abril a 13 de outubro, e do novo Centro de Arte Moderna Gulbenkian (CAM), em Lisboa.

Na esplanada do pavilhão de Portugal, a nova cadeira 5008 Osaka é acompanhada pelas mesas Classic e 5028. O mobiliário da Adico estará ainda presente na sala multiusos, com a cadeira Andaluza. “O design da Adico faz parte da identidade portuguesa e representa uma ligação autêntica entre tradição e inovação. Ver a cadeira Portuguesa ganhar uma nova vida no contexto da Expo 2025 Osaka, através da interpretação de Kengo Kuma, é um orgulho e um testemunho da intemporalidade do nosso trabalho”, diz Miguel Carvalho, diretor-geral da Adico, citado em comunicado de imprensa.

 

A Adico estará ainda presente na sala multiusos da Expo 2025 Osaka, com a cadeira Andaluza

A participação da empresa de Aveiro no pavilhão de Portugal surge na sequência de um convite da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP), que considera que “a presença da empresa Adico no Pavilhão de Portugal na Expo 2025 Osaka sublinha a relevância do design português, com cadeiras icónicas como a clássica 5008, um símbolo de intemporalidade e inovação que está presente em mais de 30 países”.

A cadeira Portuguesa é um das mais reconhecidas peças de mobiliário de exterior em Portugal. Criada na primeira metade do século XX, é uma presença incontornável em esplanadas, jardins e espaços públicos, distinguindo-se pela estética simples e intemporal.

Kengo Kuma explica que “a 5008 Osaka, inspirada na intemporal cadeira Portuguesa, reduz o design original à sua estrutura essencial, alcançando uma leveza visual. Inteiramente fabricada em metal pela Adico, reconhecida pelo artesanato industrial português, a cadeira funde-se com a paisagem, emprestando-lhe as cores, a luz e as sombras. Ao estabelecer uma ponte entre o design português e japonês, a sua simplicidade e transparência refletem a busca japonesa pela harmonia com a natureza, enquanto a solidez e a precisão evocam a tradição portuguesa de durabilidade. Uma peça contemporânea que se dissolve no ambiente, captando a essência de ambas as culturas”.

A presença da Adico na exposição mundial reforça a qualidade e a longevidade do mobiliário da marca e o compromisso com a sustentabilidade e a inovação, alinhando-se com o tema central da Expo 2025 Osaka. “A relação da Adico com o Japão não é de agora. No passado, a empresa já teve relações comerciais com este mercado exigente e altamente sofisticado. No entanto, a presença na Expo 2025 representa uma nova fase, alinhada com uma estratégia de expansão e fortalecimento da marca junto de arquitetos, designers e distribuidores japoneses”, avança o comunicado.

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Marketing

Marcas bem-sucedidas conjugam marketing de desempenho com construção da marca

“A partir do momento em que a construção da marca passa para segundo plano, o desempenho começa a deteriorar-se, o que leva à diminuição do retorno do investimento. Essa é a armadilha”, defende Hunter Hindman, CEO e CCO da Argonaut

As marcas mais fortes não separam os conceitos de marketing de desempenho da construção da marca, mas conjugam-nos, defende Hunter Hindman, CEO e CCO da agência criativa Argonaut, num artigo de opinião na Ad Age. “Os anunciantes que valorizam ambas as vertentes do marketing compreendem que a criatividade não é um luxo, mas uma necessidade empresarial”, argumenta.

Na opinião de Hunter Hindman, a lógica de otimizar e apostar no retorno monetário em função do desempenho não é necessariamente má, mas tem uma lacuna. “A partir do momento em que a construção da marca passa para segundo plano, o desempenho começa a deteriorar-se, o que leva à diminuição do retorno do investimento. Essa é a armadilha”, explica.

Perante este cenário, o CEO e CCO da Argonaut explica que as grandes marcas não se limitam a procurar a eficiência. Criam estruturas de memória distintas – elementos visuais, auditivos e narrativos que as tornam instantaneamente reconhecíveis, mesmo quando os orçamentos são limitados.

Segundo Hunter Hindman, as marcas devem reconhecer que não se deve aumentar o investimento em media e, em contrapartida, estagnar o investimento em criatividade. Isto prende as marcas num ciclo em que, em vez de encontrarem novos públicos, apresentam os mesmos anúncios às mesmas pessoas, várias vezes. “Isso não é crescimento, é um beco sem saída”, enfatiza.

Qualidade criativa é a chave

Segundo o CEO da Argonaut, a qualidade criativa é o fator de desempenho mais importante. “Há estudos que mostram que 70% do sucesso de uma campanha advêm da qualidade criativa, enquanto a difusão nos meios de comunicação representa apenas 30%. Ou seja, o que se diz e como se diz é mais importante do que onde se diz”, sustenta.

Para Hunter Hindman, o marketing não se resume a quem gasta mais, é sobre notoriedade e ser recordado. E o desempenho, por si só, não leva as marcas até onde desejam chegar. “A pior coisa que uma marca pode fazer é perseguir ganhos a curto prazo em detrimento do valor a longo prazo. É necessário investir em criatividade, de forma a construir algo que perdure”, conclui.

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Meta vai vender espaço publicitário a agências de meios para posterior revenda

“É provável que a aposta da Meta neste setor esteja relacionada com as perspetivas económicas nos Estados Unidos, que se agravam, com o objetivo de assegurar um fluxo de receitas constante”, argumenta Karsten Weide, diretor da W Media Research, citado no Digiday

A Meta está a entrar no setor controverso de ‘principal-based buying’, a compra de espaços publicitários por uma agência de meios para posterior revenda a clientes a preços superiores, noticia o Digiday.

A empresa liderada por Mark Zuckerberg está em negociações com as ‘holdings’ de agências de meios sobre uma solução em que as agências compram o inventário publicitário da Meta para posterior revenda aos clientes a um preço mais elevado, segundo executivos publicitários, citados no Digiday.

À primeira vista, a iniciativa parece pouco habitual, visto que a Meta há muito que não depende das ‘holdings’ para lucrar com a publicidade. Neste caso, segundo o Digiday, não se trata de dependência, é uma questão de vantagem. “Eles [Meta] estão a apresentar esta solução às maiores ‘holdings’ de agências”, revela um dos executivos, sob anonimato.

Para Brian Leder, fundador da agência norte-americana de meios Ramp97, a entrada da Meta nesta área tem um objetivo claro: “a Meta quer proteger uma parte crescente das receitas publicitárias e garantir que as grandes marcas continuam a fazer investimentos significativos em todas as plataformas, ao mesmo tempo que aproveitam as agências, que agora atuam como uma equipa de vendas alargada, para impulsionar os gastos publicitários nas plataformas da empresa”, declara, citado no Digiday.

Karsten Weide, diretor da empresa de estudos de mercado W Media Research, salienta, por seu lado, que é provável que a aposta da Meta neste setor esteja relacionada com as perspectivas económicas nos Estados Unidos, que se agravam, com o objetivo de assegurar um fluxo de receitas constante. “Temos de esperar uma recessão económica em 2026 devido à introdução das tarifas”, antecipa.

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AutoSport e AutoMais vendidos a José Caetano

Os títulos da MMG Media, de Pedro Corrêa Mendes, passam para as mãos da editora do diretor do E-Auto. O regresso do AutoSport ao formato em papel, ainda este ano, e a conquista de leitores lusófonos são alguns dos objetivos

Catarina Nunes

Os títulos AutoSport e AutoMais, detidos pela MMG Media de Pedro Corrêa Mendes, passam a partir de 1 de abril a ser controlados pela JC Edições e Publicações, propriedade de José Caetano, diretor do E-Auto, por um montante não divulgado.

A notícia é avançada por email ao M&P por José Caetano, que refere que “esta terça-feira, 1 de abril, o AutoSport, título que tem quase 50 anos de histórias, inicia uma etapa, concretizada a mudança de controlo editorial e comercial da MMG Media Unipessoal Lda, de Pedro Corrêa Mendes, para a JC Edições e Publicações Unipessoal Lda, de José Caetano, que partilha o comando do projeto novo com Nuno Mousinho Esteves”.

José Caetano e Nuno Mousinho Esteves assumem igualmente a liderança do título AutoMais, até agora também detido pela MMG Media, que acompanha a mudança de mãos do AutoSport. “Esta operação não impacta o funcionamento do E-Auto, pelo contrário, reforça-o, com o potencial de partilhas de conteúdos e sinergias agora à disposição da equipa nova, que mantém a sua atividade normal. As equipas redatoriais, no imediato, mantêm-se, mas o objetivo é reforçá-las rapidamente”, explica José Caetano.

Juntos, “José Caetano e Nuno Mousinho Esteves assumem o desafio de honrar o legado de uma marca tão prestigiada, com uma ambição clara: fazer regressar o AutoSport ao formato em papel ainda este ano, enquanto consolidam e expandem a presença do título no espaço digital, não só em Portugal, mas também junto de todos os apaixonados por motores no universo lusófono, incluindo Brasil, Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Timor-Leste e comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo”, refere o novo proprietário do AutoSport e do AutoMais.

José Caetano tem 30 anos de carreira no jornalismo, que inicia no Correio da Manhã, em 1994, tendo passado pelo jornal desportivo A Bola, onde assume o cargo de chefe de redação, e pela revista Auto Foco, que dirige durante 12 anos. Mais recentemente, cria a editora JC Edições e Publicações Unipessoal Lda e inicia o projeto E-Auto, disponível em formato de revista mensal e na internet.

Nuno Mousinho Esteves, por seu lado, é especialista em marketing desportivo e encontra-se ligado aos desportos motorizados desde 1989, com um percurso como piloto em Fórmulas, Turismos e GT, além de uma carreira internacional em algumas áreas do desporto e da comunicação.

Fundado em 1977 por José Vieira, originalmente em papel e no formato de jornal, o AutoSport é um dos títulos mais emblemáticos do desporto motorizado e do setor automóvel em Portugal. Atualmente, funciona no formato online no site autosport.pt, acompanhando a atualidade dos desportos motorizados nacionais e internacionais, e do setor automóvel.

Sobre o autorCatarina Nunes

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“Este é o momento de a criatividade portuguesa se virar para o mar”

Em ano de fusão a VML Portugal cresce 17%, com a maioria deste crescimento atribuído ao trabalho para fora. A agência, que acaba de ganhar o ‘branding’ do Euro 2028, quer duplicar o volume de negócios até 2030

Na sequência da conquista da conta da identidade visual do Euro 2028, Nuno Santos, CEO da VML em Portugal, revela a estratégia que está na origem da adjudicação, estabelece os objetivos a cumprir até 2030 e a tática a implementar.

Em entrevista exclusiva ao M&P, o líder da agência multinacional fala sobre o crescimento proveniente das contas internacionais e faz o balanço da fusão entre a VMLY&R e a Wunderman Thompson, que resulta na criação da VML.

Adianta que a faturação da VML em Portugal cresce 17% em 2024 face ao ano anterior, refletindo o foco na integração com as agências do grupo WPP e na exigência criativa. Aborda ainda o impacto das fusões no ecossistema criativo, que concedem aos clientes “mais valor e um poder criativo muito maior”.

Acabam de ficar responsáveis pelo ‘branding’ do Euro 2028. Qual é a estratégia que vos vale esta conquista?

O segredo é ter talento e experiência. Temos um historial de trabalho de ‘branding’ para eventos desportivos, incluindo a identidade visual do Euro 2024, que também criámos. Somos a agência dentro da VML a nível mundial mais destacada na área de ‘branding’ para grandes eventos, o que é uma sequência natural do trabalho extraordinário que esta equipa realiza a nível internacional.

É um privilégio e um orgulho, incluindo para o talento português, termos a oportunidade de trabalhar num evento desta dimensão. Também sentimos que temos o direito de ganhar.

Como é que surge esta oportunidade e quais foram as outras empresas participantes?

Participámos num concurso internacional, no qual competimos com os melhores estúdios de ‘branding’ e de marketing de eventos desportivos a nível mundial. O Euro 2024 teve toda a identidade visual do evento desenvolvida pela equipa de ‘branding’ da VML, liderada por Pedro Gonzalez, diretor executivo, e por Hélder Pombinho, diretor criativo. O mesmo acontecerá para o Euro 2028.

Há sempre este concurso, quatro anos antes do evento e a VML Portugal volta a conquistar esta conta. É algo de que nos orgulhamos muito. A brincar, até é caso para dizermos, Portugal já ganhou.

Para além da identidade visual, haverá outros aspetos criativos ou estratégicos que vão trabalhar?

O processo mal começou mas estamos a falar de uma mega marca, um megaevento que conta com uma maior coordenação e uma série de parceiros a trabalhar em conjunto.

Por agora, temos esta peça, que é a identidade visual e o ‘branding’, mas obviamente que vão existir oportunidades para criar uma série de outros elementos da cadeia de valor deste evento, nomeadamente no que diz respeito a ativações e à comunicação, entre outros.

A VML acaba de ser distinguida como uma Standout Agency de 2024 na A-List da Ad Age e sobe para a 2.ª posição no ranking WARC Creative 100 2024. Como é que a agência em Portugal contribui para este sucesso?

Temos cada vez mais trabalho de relevo internacional, é a nossa maior área de crescimento. Estamos a finalizar as submissões para a ‘network’ [VML a nível mundial] e Portugal é um dos países europeus que mais inscrições vai enviar, tendo em conta a nossa dimensão. O ‘branding’ também contribui de forma notável, sobretudo com a conta do Euro.

Contribuímos com a extensão das grandes campanhas de comunicação, sobretudo trabalhos diretos para clientes internacionais, alguns em colaboração com as agências do grupo WPP, com as quais trabalhamos no desenvolvimento de campanhas e na implementação de estratégias de ‘roll-out’.

Nuno Santos, CEO da VML Portugal, diz que a colaboração com as agências do grupo WPP é um dos focos

Duplicar o volume de negócios até 2030

Qual é a estratégia que a VML Portugal segue para alcançar essas conquistas?

Há cinco anos, definimos uma estratégia que nos permitiria alcançar a afirmação internacional da VML Portugal. Desde que esta equipa assumiu a gestão da agência, após a fusão da Wunderman Thompson com a VMLY&R, o objetivo tem sido ser a agência número um em Portugal.

Queríamos ser uma agência com capacidade de influenciar o mercado e ambicionávamos ser uma agência relevante no contexto europeu. Isso é importante para os clientes nacionais, pois a escala que obtemos através do trabalho para grandes clientes a nível internacional permite-nos adquirir competências com um nível de profundidade e extensão impossível de obter de outra forma.

Atualmente, somos 460 pessoas a trabalhar numa única agência. Temos uma das maiores equipas criativas em Portugal, bem como as maiores equipas de ‘accounts’, de estratégia, de tecnologia, de ‘e-commerce’, de automação de marketing e de marketing de performance. Queremos continuar a crescer, sendo que pretendemos duplicar o volume de negócios da agência até 2030.

Que implicações terá esse objetivo em termos de recursos humanos, ferramentas e estrutura da agência?

Não conseguimos duplicar o que fazemos sem alterar o modelo operativo da agência, que assenta cada vez mais nas ferramentas de inteligência artificial (IA) que fazem parte do WPP Open e já são fundamentais para tudo o que fazemos. Somos o escritório europeu com o melhor nível de adoção de ferramentas de IA, o que nos coloca na melhor posição para crescer mais rapidamente e realizar um trabalho de maior qualidade do que qualquer outro escritório europeu.

Pretendemos ter recursos cada vez mais qualificados, seniores e autónomos, numa organização cada vez mais descentralizada, que delega nas equipas e lideranças intermédias a capacidade de decisão. Procuramos um talento muito específico, com muita ambição e competência nas carreiras, bem como experiência de trabalho no estrangeiro ou com educação multicultural. Um talento que também tem de ser diversificado.

Em que sentido?

Temos pessoas de 24 nacionalidades, falamos cerca de 17 línguas e trabalhamos para 13 mercados internacionais, nomeadamente Austrália, Nova Zelândia, Áustria, Suécia, Dinamarca, Estados Unidos, Inglaterra, Espanha, Suíça, Quénia e Arábia Saudita, entre outros.

A VML Portugal é uma verdadeira fusão cultural de recursos. A nossa própria identidade reflete isso mesmo. Somos uma agência internacional, alegre, fácil de trabalhar, eficiente, talentosa e com muita capacidade de intervenção junto de grandes clientes.

Quanto é que estão a investir em ferramentas de transformação e IA, entre outras?

A nível mundial, o grupo WPP anunciou que no desenvolvimento de ferramentas de IA está a investir 300 milhões de dólares (€276 milhões) por ano. A nível local, o investimento consiste em capacitar os recursos humanos para a utilização das ferramentas do WPP Open.

Estas abrangem a totalidade da cadeia de valor, desde a identificação de audiências e a definição de ‘insights’, que permitem criar melhores ‘briefings’, até à multiplicação de ‘assets’, ‘dynamic content optimization’ e ligação entre planos de meios e planos de conteúdos. Esta automatização liberta energia, recursos, atenção e investimento para aquilo que é fundamental: aumentar o valor na fase inicial da cadeia de valor.

Que estratégia vão implementar para fazer crescer o negócio em áreas chave, como a transformação de marketing, o comércio eletrónico e a criatividade?

A estratégia de crescimento da VML assenta em três pilares. O primeiro é ampliar aquilo que fazemos melhor do que qualquer outro escritório da VML no mundo: ‘branding’, ‘purpose-driven marketing’ e ‘business-to-business’.

Lideramos as relações de comunicação e marketing das organizações das Nações Unidas, como a UNICEF, a NFPA e a OMS, entre outras, e temos a maior operação para a Microsoft dentro da rede VML. Aliás, se isolássemos a operação da Micrsoft numa agência, tornar-se-ia uma grande agência no mercado nacional, só com um cliente.

O segundo pilar é a expansão da nossa área de ‘ecommerce’, com foco em duas vertentes: ‘design & build’ e ‘run & operate’. Contamos com cerca de 140 pessoas nesta área em Portugal e pretendemos duplicar essa capacidade até 2030, reforçando a aposta em ‘marketing effectiveness & intelligence’.

O terceiro pilar é o ‘scale of marketing businesses’, onde criamos equipas dedicadas para resolver problemas complexos de clientes internacionais. Através da competitividade dos nossos preços, conseguimos colocar equipas dedicadas a clientes.

Um exemplo é a coordenação, a partir de Lisboa, do ‘shopper marketing’ da The Coca-Cola Company na Europa. Este apoio a grandes marcas vai impulsionar o crescimento da nossa operação, prevendo-se um aumento significativo da equipa nos próximos anos.

Vão investir em outras áreas, além das que refere?

Mais do que investir em novas unidades de negócio, é gerir a energia que colocamos em cada uma das áreas que referi e a forma como articulamos a complementaridade com outras competências que já existem dentro do grupo WPP.

Não faz sentido duplicarmos essas ‘capabilities’ dentro da VML. Mas no que se refere ao ‘branding’, estamos a explorar novas áreas, como a implementação de inteligência generativa, garantindo que as marcas são consideradas na criação de ‘assets’, ideias e textos. Também investimos em ‘branding’ experiencial, cruzando eventos, marca e comunicação.

‘Social media’ é outra área importante, sobretudo o ‘social commerce’, na qual vamos acelerar a dimensão, o número de pessoas e as competências, à medida que os clientes o fizerem. Em 2024, esta foi uma das áreas de maior crescimento da agência, liderada por Tito Santana e Mafalda Coelho, cujo trabalho tem sido amplamente reconhecido pelos clientes.

Crescimento acelerado por contas internacionais

Quanto é que representam as contas estrangeiras face às nacionais em termos de crescimento?

O mercado internacional representa atualmente cerca de 55% do volume de negócios da agência e deverá crescer para 70% a 75% até 2030. É importante salientar que o crescimento com contas locais continua, mas a um ritmo mais lento do que o internacional, devido à maturidade do mercado. Somos a agência número um em investimento de media local, o que limita as avenidas de crescimento nesta área.

Como é que atraem e conquistam clientes e contas estrangeiras?

É preciso fazer um bom trabalho todos os dias. Temos de fazer um trabalho do qual as pessoas falem positivamente, pois os clientes são a nossa maior força de venda e os nossos maiores embaixadores. Foi assim que conquistámos a conta do Tony Blair Institute.

Uma pessoa que tinha trabalhado connosco num projeto da UNICEF foi para o Tony Blair Institute e, assim que chegou, pegou no telefone e disse: ‘temos de fazer exatamente o mesmo que fizemos na UNICEF’. Isto acontece cada vez mais, com oportunidades que surgem diretamente.

Além disso, temos outros dois grandes motores de crescimento: os nossos gestores de contas globais – que confiam na nossa qualidade e a transmitem aos clientes -, e a nossa capacidade e visibilidade criativa, com projetos como o Euro 2024 e o Euro 2028, que reforçam a credibilidade da agência.

Uma das coisas que aprendemos, eu incluído, é a desmistificar o que é feito lá fora e deixar de ter medo de enfrentar ou agarrar as oportunidades que existem. A nossa equipa tem um critério de exigência alto e, se continuarmos assim, seremos uma referência não só para os clientes, mas também para os profissionais que aqui trabalham. Estamos determinados a fazer coisas que valham a pena; caso contrário, mais vale irmos vender gin tónicos para a praia.

Que desafios podem surgir ao trabalhar com clientes fora de Portugal?

Ao contrário do que acontece em Portugal, onde as estruturas são piramidais e as decisões são mais diretas, com clientes internacionais lidamos com processos longos, estruturas matriciais e múltiplos níveis de aprovação, o que exige uma adaptação à complexidade organizacional.

Temos clientes nos Estados Unidos, mas com equipas na Índia e nós a gerirmos tudo o que está no meio. É complexo. Outro desafio é a formalidade das relações. As reuniões requerem preparação, agendas, registos e ‘follow-ups’ rigorosos, o que implica um período de adaptação para os novos colaboradores.

Criámos um sistema em que as pessoas passam três a seis meses em missões temporárias, antes de assumirem funções permanentes, e isso ajuda-nos a prepará-las para lidar com estes desafios. Apesar disso, temos a confiança e a certeza de que, em termos de maturidade, somos definitivamente um dos países mais competitivos neste aspeto.

Quais são os principais clientes e projetos para fora que têm em mãos?

Temos seis clientes globais com os quais interagimos diretamente e de forma aprofundada. A Microsoft, o Tony Blair Institute, a The Coca-Cola Company, a Philip Morris International, a Amazon e as organizações das Nações Unidas, que consideramos como um único cliente, pois são geridas pela mesma equipa.

Também estamos a acrescentar agora mais três clientes, que ainda não posso adiantar quem são, mas que atuam em áreas mais clássicas, como B2C e bens de consumo rápido.

A nível nacional e internacional, em que concursos estão a participar?

Estamos envolvidos em três concursos a nível nacional, nenhum foi oficialmente comunicado. Contudo, confesso que vejo os concursos de forma menos transformadora do que via anteriormente. Atualmente, há poucos casos em que um concurso, por si só, revoluciona uma agência. Claro que existem exceções, como a EDP e a Galp, entre outras, que representam contas volumosas e exigem grandes equipas.

O que realmente gera impacto são as relações construídas ao longo do tempo, e conseguimos estabelecer melhores relações com os clientes quando essa relação é construída desde a base e não apenas ganha. É isso que permite transformar verdadeiramente as marcas, algo que temos feito com a Vodafone e, mais recentemente, com a Wells.

A renovação da Wells só foi possível graças a um trabalho colaborativo e integrado entre as nossas equipas. O segredo para construir grandes marcas está cada vez mais na criação de relações sólidas, alinhadas numa estratégia profunda e partilhada. É fundamental não só para garantir a criatividade, mas também para assegurar a efetividade de toda a transformação da marca.

A campanha de Natal da Coca-Cola nos Estados Unidos, criada apenas com IA, foi alvo de controvérsia. Qual é o equilíbrio entre tecnologia e criatividade e como é que lidam com estes obstáculos, enquanto agência que quer adotar cada vez mais estas tecnologias?

Quando surge uma nova ferramenta, cria-se uma confusão entre aquilo que ela pode fazer e a finalidade para a qual é utilizada. Enquanto o trabalho criativo for notícia apenas por ter sido desenvolvido com IA, isso indica que ainda não atingimos a maturidade na sua utilização.

Atualmente, vários projetos com IA servem apenas para demonstrar a tecnologia, sem uma relevância real. Em vez de se discutir se uma campanha foi boa ou não, discute-se se foi feita com IA, desviando o foco do que realmente importa: o impacto e a criatividade.

Como diz a Sara Soares, a nossa diretora criativa executiva, quem inventou a guitarra elétrica não inventou o ‘rock & roll’. Portanto, quem inventou a IA não vai inventar a publicidade feita com IA. Cabe-nos a nós utilizá-la da melhor forma. E não tenho dúvidas de que, daqui a dois, três ou quatro anos, ninguém estará a debater se algo foi ou não feito com IA. Esta tecnologia será apenas parte do processo criativo.

Indústria marcada por fusões

Como avalia o impacto das fusões que têm marcado as agências?

A lógica das fusões faz todo sentido num mundo onde os clientes valorizam cada vez mais a simplicidade e a integração de competências. O grupo WPP tinha um número excessivo de ‘networks’ e era essencial reduzir a complexidade, não apenas a visível, mas também a interna, por exemplo, a coordenação de contas e sistemas.

Nos últimos cinco anos, o grupo tem vindo a caminhar para a simplificação, o que se traduz em mais valor para os clientes. Em Portugal, esta estratégia resultou num modelo claro e eficiente.

Faz todo o sentido, por exemplo, continuarmos a ter duas agências criativas, pois a diversidade é essencial à criatividade. A VML e a Bar Ogilvy têm identidades distintas: nenhuma é melhor ou pior, são apenas diferentes. O foco continuará a ser a colaboração integrada entre as várias agências do WPP, maximizando o valor entregue aos clientes.

No que consiste essa integração?

O objetivo é oferecer soluções simples e integradas, para que os clientes não tenham de lidar com a complexidade. Recentemente, numa conversa com um cliente com quem estamos a negociar uma colaboração, percebi que ele trabalha com cinco agências diferentes para um único projeto.

Isso significa cinco equipas, cinco contactos e cinco abordagens distintas. Nesse caso, uma simples reunião de ‘briefing’ pode envolver 12 a 14 pessoas, cada uma com a sua visão.

A realidade é que o ecossistema do marketing e da comunicação se tornou demasiado complexo para os clientes gerirem sozinhos. Cabe-nos, enquanto agência, assumir essa complexidade internamente e simplificar os processos para os clientes. A integração das equipas e a utilização de sistemas como o WPP Open permitem-nos chegar aos clientes de forma mais eficiente e coordenada.

Qual é o impacto dessas fusões, a nível da criatividade e da rentabilidade?

O feedback dos nossos clientes após a fusão tem sido extremamente positivo. Tínhamos dois departamentos criativos relativamente pequenos, mas com identidades distintas. Agora, conseguimos mobilizar equipas muito maiores para responder a desafios estratégicos.

Se um cliente precisa de uma solução criativa, podemos ter seis duplas a trabalhar em simultâneo, o que não era possível anteriormente. Isso concede aos clientes um poder criativo muito maior, desde que haja capacidade financeira para o investimento.

Alguns clientes podem sentir a perda do romantismo de trabalhar com uma pequena agência independente, mas a realidade é que não somos essa pequena agência; somos um dos maiores departamentos criativos de Portugal. Temos diversidade de talento, com seis diretores criativos e uma diretora criativa executiva, o que nos permite oferecer múltiplas abordagens para cada desafio.

E a nível da rentabilidade?

Quanto maior formos, mais fácil será obtermos rentabilidade. O grupo é atualmente mais rentável do que era há quatro ou cinco anos, porque simplificámos bastante a nossa operação. Não apenas do ponto de vista dos custos estruturais, que são diluídos, mas também porque conseguimos um modelo operativo bastante mais eficiente e simples, que acrescenta mais valor aos clientes e que é mais fácil de rentabilizar, que é o que nos interessa.

Quais foram os desafios da integração das agências que resultam na VML Portugal?

Tratavam-se de duas agências bastante diferentes. A VMLY&R, bastante marcada criativamente pela Judite Mota, que fez um trabalho extraordinário na integração das duas agências e como diretora criativa executiva da VML durante o ano de concretização da fusão, e a Wunderman Thompson, que tinha uma identidade cultural mais internacional, com muita diversidade em termos de ferramentas, tecnologia, dados e CRM, e uma equipa criativa com quatro diretores criativos.

O que conseguimos fazer ao fundi-las foi crescer sem perder grande coisa. Temos uma equipa extraordinariamente motivada e que se identifica com a identidade da VML. As pessoas têm orgulho em trabalhar aqui e naquilo que queremos ser: um dos escritórios mais inspiradores da ‘network’. A fusão correu muito bem para ambas as agências, a ponto de pensarmos porque é que não fizemos isto mais cedo.

Houve obstáculos?

No início, qualquer fusão suscita receios. As pessoas preocupam-se com o seu trabalho e as duplicações suscitam sempre atenção. No entanto, numa equipa de 200 pessoas, conseguimos evitar grandes duplicidades. Claro que algumas áreas deixaram de fazer sentido, como a pequena equipa de media que a VMLY&R tinha, já que o grupo WPP tem agências de excelência nessa área.

Felizmente, conseguimos evitar um impacto emocional negativo, como acontece em algumas fusões em que há cortes drásticos de 20% ou 30%. Isso porque se tratou de uma fusão entre duas organizações em crescimento: a Wunderman Thompson estava a expandir-se e a VMLY&R também se encontrava estável. Quando as agências estão a crescer, a fusão tende a ser mais fácil. Se a fusão acontecer quando as agências estão a perder dinheiro e o objetivo é poupar, o processo pode ser traumático.

Em ano de fusão, contratámos mais colaboradores do que em qualquer outro ano dos últimos cinco, com 45 novas contratações. Após uma fusão, é necessário algum tempo para criarmos uma identidade única, sem as subidentidades de cada agência. No entanto, ficámos muito felizes quando chegámos à festa de Natal e vimos o impacto da fusão. Percebemos que tínhamos agora uma mega-agência. Só então considero que o processo de fusão foi concluído de facto.

Como é que a saída da Judite Mota afeta a estratégia criativa da agência?

A saída da Judite é sempre uma perda por tudo aquilo que a Judite é. A Judite esteve no grupo durante quase 30 anos. É, obviamente, uma perda para qualquer agência. Por outro lado, ficámos a ganhar muito com a entrada da Sara Soares, que é uma diretora criativa executiva extraordinária.

A Sara traz-nos a experiência e a profundidade internacional de que precisamos para continuar a crescer. Aceitou o desafio e, dois meses depois, não tenho dúvidas de que, pelo trabalho que as equipas têm estado a fazer e pelos resultados para os clientes, já é e continuará a ser uma diretora criativa executiva extraordinária.

A crescer 17% em 2024

Quanto cresceu e faturou a VML em 2024?

Em 2024, a nossa faturação aumentou 17%. Não posso adiantar valores, mas posso referir que as duas agências consolidadas (Wunderman Thompson e VMLY&R) cresceram, em média, 12% ao ano nos últimos cinco anos.

Qual é o peso da VML na faturação total do WPP em Portugal?

Não posso divulgar as percentagens do grupo, mas posso dizer que somos a segunda maior agência do grupo nesse sentido. Com um total de 460 pessoas, somos quase metade do número total de pessoas que trabalham no grupo WPP em Portugal. Acima de nós está apenas o GroupM.

Quais foram os clientes que mais contribuíram para o crescimento e faturação da agência em 2024?

Os clientes internacionais, como a Microsoft, a The Coca-Cola Company, o Tony Blair Institute, a Philip Morris, a Amazon e as organizações das Nações Unidas, foram os que mais contribuíram. Crescemos bastante com o Santander e com a Wells. A Vodafone não cresceu, tendo ficado estável, e os restantes clientes têm estado mais ou menos estáveis em Portugal.

Quais foram os acontecimentos e campanhas mais marcantes para a VML em 2024?

O trabalho que realizámos para a Vodafone, tanto a nível da marca como do âmbito comercial, é extraordinariamente aprofundado. A campanha de Natal da Vodafone é sempre a mais aguardada. Todos os outros anúncios de Natal são emitidos e, depois, há o da Vodafone, que é sempre o que todos querem ver.

Um dos projetos de que mais me orgulho, e no qual estive envolvido desde o início na relação com o cliente, é o que fizemos para a Wells. A campanha ‘Não Fica Bem’ teve o poder de transformar profundamente uma marca que, anteriormente, era distante e pouco conectada com as pessoas, especialmente com as mulheres.

Hoje, a marca é algo com a qual qualquer mulher se orgulha de se identificar, o que é um privilégio. A campanha de Black Friday da Leroy Merlin foi, pelo contrário, um trabalho leve e bem-humorado, mas que trouxe resultados extraordinários para o cliente, o que também é muito importante.

Pessoalmente, o projeto de que mais me orgulho é o trabalho que estamos a fazer para um consórcio liderado pela Unicef. Estamos a combater a desinformação sobre a vacinação contra a poliomielite em regiões onde a doença ainda é endémica, como o Quénia, o Corno de África, a República Centro-Africana, o Afeganistão e o Paquistão.

Foi um ano bom em termos de prémios?

Conquistámos o prémio de Agência Criativa do Ano nos Prémios Eficácia, onde ainda obtivemos três Ouros, quatro Pratas e três Bronzes. Nos Prémios CCP, ganhámos um Ouro, duas Pratas e sete Bronzes. Infelizmente, não ganhámos em Cannes, mas diria que quase todo o trabalho de 2024 não foi a concurso.

Na prática só o trabalho feito até março/abril é que conseguiu entrar nesse concurso. Portanto, os grandes concursos criativos começam agora com o trabalho de 2024 e temos muita esperança para esses trabalhos.

Quais são as perspetivas de crescimento e os próximos projetos da VML em 2025?

Continuamos a prever um crescimento de 15% ao ano. Perspetivamos sucesso criativo, que é algo em que estamos focados, e receber o reconhecimento do mercado, porque às vezes falta o reconhecimento. Não há uma categoria para avaliar o trabalho que temos feito com a Vodafone e a Wells, entre outras. É um trabalho de consistência de marca, e até agora não havia uma categoria para isso. Pela primeira vez já existe, em Cannes.

Quanto aos próximos projetos, queremos continuar a apostar nas áreas que nos distinguem internacionalmente, aumentar a presença nesses projetos, trabalhar com as melhores marcas portuguesas em várias áreas, desde a criatividade ao ‘ecommerce’. Estamos empenhados em fazer isso porque acreditamos que estamos aqui para desenvolver as pessoas que trabalham connosco e gerar alguma rentabilidade ao acionista.

Criatividade portuguesa tem de se virar para o mar

Quais são as oportunidades que antevê no mercado publicitário nacional?

Em termos de oportunidades, é levar o nosso talento ao palco internacional para ser cada vez mais reconhecido. Este ano, em Cannes, fiquei a par de uma coisa, a existência da Associação de Criativos da Holanda. O meu sonho é que um dia houvesse em Cannes uma entidade semelhante que congregasse os anunciantes e os criativos portugueses, a defender o nosso potencial criativo global.

É possível esse sonho concretizar-se?

Acredito que sim. É uma oportunidade extraordinária para todas as agências do mercado. Não só as internacionais, que obviamente podem ter mais alguma facilidade de acesso, mas também as agências independentes. Como diria Agostinho da Silva, temos de nos virar para o mar. Temos tido sucesso e acho que este é o momento da criatividade portuguesa se virar para o mar.

E os desafios?

A questão da escala e da rentabilidade. É difícil ver que os nossos clientes não querem necessariamente fazer menos – até acho que querem fazer mais -, mas têm de dividir os orçamentos por cada vez mais áreas, o que significa que o orçamento de cada agência é mais pequeno, mas estas são cada vez maiores. Se pensarmos no volume dos orçamentos de comunicação de há dez anos, por exemplo, eram muito maiores.

Não é porque os nossos clientes queiram necessariamente, mas porque é a realidade dos negócios atualmente em Portugal. Marcas e grupos de consumidores mais pequenos significam orçamentos mais reduzidos. Porém, isso cria desafios à própria existência e sobrevivência de algumas agências. Esse é o desafio.

 

Sobre o autorDaniel Monteiro Rahman

Daniel Monteiro Rahman

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