Baixas audiências de “Papel principal” abalam estratégia de ficção omnicanal da SIC
Anunciada com pompa e circunstância na apresentação da grelha da SIC para o outono/inverno de 2023/24, a telenovela “Papel principal”, protagonizada por Carolina Carvalho, Ângelo Rodrigues, Margarida Vila-Nova, José Mata […]

Luis Batista Gonçalves
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Anunciada com pompa e circunstância na apresentação da grelha da SIC para o outono/inverno de 2023/24, a telenovela “Papel principal”, protagonizada por Carolina Carvalho, Ângelo Rodrigues, Margarida Vila-Nova, José Mata e Mafalda Vilhena, não conquistou os espetadores. Estreada a 25 de setembro, tem conseguido valores aquém dos esperados, uma situação que levou Daniel Oliveira, diretor de programas do canal, a encurtar a trama e a cancelar a segunda temporada da produção. Os episódios gravados continuarão, todavia, a ser exibidos, até os primeiros meses de 2024.
Antes da tomada da decisão, foram feitas várias experiências. Além de cenas reescritas e regravadas, chegou a ser equacionada a morte do pugilista interpretado por Ângelo Rodrigues, a entrega do novo papel principal a Margarida Vila-Nova e até a contratação de Luciana Abreu para desempenhar uma personagem de grande relevo no enredo idealizado para a segunda fase da história. Mas, como as mudanças solicitadas nunca surtiram o(s) efeito(s) desejado(s), o responsável preferiu rever a estratégia.
Escrita por Ana Casaca, a telenovela é o formato principal do projeto de ficção omnicanal da SIC, que também integra sitcom “A casa da Aurora”, interpretada por personagens da novela, um espetáculo de revista que o canal de Paço de Arcos pretendia levar a teatros e salas de espetáculos de norte a sul do país e uma série para a plataforma de streaming Opto, “Os eleitos”, que retrata o conflito na origem da trama de “Papel principal”, a história de duas aspirantes a atrizes que não tiveram a mesma sorte.
“O risco faz parte do negócio”
A abordagem era inovadora e o formato, nunca antes testado desta forma, pioneiro. “Vamos também criar cenas exclusivas e bloopers, para adaptar estes conteúdos da novela, que é no fundo o núcleo de tudo isto, às diferentes redes sociais e ao site”, anunciou, na apresentação, Daniel Oliveira. “Celebram-se agora os 100 anos do Parque Mayer, há um conjunto de iniciativas que podem estar dentro da novela e propiciar também participações especiais”, referiu também, na ocasião, muito entusiasmado com o produto que tinha em mãos e com a estratégia que acabaria por ter de rever.
“É uma novela que eu acredito que pode reconciliar muito público que há algum tempo não via novelas, porque é muito cómica, com uma história muito bem contada e com excelentes interpretações”, elogiava o diretor de programas da SIC há dois meses e meio. As dececionantes audiências conseguidas apanharam-no de surpresa, obrigando-o antecipar o fim do projeto, produzido pela SP Televisão. Na altura, Francisco Pedro Balsemão, CEO da Impresa, dona da SIC e da Opto, também se mostrava confiante.
“É uma forma nova de ver o audiovisual. Nós estamos muito confiantes. O nosso público é, de facto, exigente, mas é um público que nos é fiel. A nossa ficção tem tido muito sucesso ao longo dos anos. Há produtos que têm um grande sucesso e outros que têm um sucesso mais relativo, mas o risco faz parte do negócio. O maior risco é ficarmos estagnados. No nosso caso, achamos que é este o caminho, um caminho que passa pelo multiplataforma”, assumiu então, ao Meios & Publicidade, Francisco Pedro Balsemão.