Bordallo Pinheiro já exporta 70% da produção
A marca, que fatura anualmente €14 milhões, lança a 10ª coleção de sardinhas, no ano em que comemora o 140º aniversário. Em setembro, chega ao mercado uma nova peça utilitária, que reforça a lista de colaborações. Uma das últimas foi com a Herdade do Esporão (na foto)

Luis Batista Gonçalves
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A Bordallo Pinheiro, que faturou €14 milhões em 2023, já exporta 70% da produção. “Há mercados que têm crescido bastante e que têm alavancado muito a nossa expansão internacional, como é o caso do Reino Unido”, revela ao M&P Nuno Barra, administrador da Bordallo Pinheiro. O investimento em comunicação, marketing e publicidade, que hoje corresponde a “entre 3% e 5% da faturação”, também tem vindo a crescer em função do aumento das exportações, oscilando anualmente entre €420 mil e €700 mil nos últimos anos. “No mercado internacional, isso gasta-se numa campanha de um mês”, sublinha o responsável.

Além de novas sardinhas, a Bordallo Pinheiro lançou a nova coleção Couve com Lavagantes
Para promover a marca no estrangeiro, o marketing digital tem sido uma das principais apostas. “O offline é muito caro, implicaria um investimento muito avultado. E, como o nosso público-alvo está muito nas redes, faz todo o sentido irmos por aí”, refere Nuno Barra, que também tem apostado em marketing de influência para aumentar a notoriedade da insígnia. “Temos feito algumas ações em marcados mais sensíveis, como o francês e o italiano”, desvenda.
Espanha, onde a marca tem duas lojas próprias e está presente em 40 retalhistas, incluindo o El Corte Inglés, também tem sido alvo de iniciativas promocionais pontuais. “Gostávamos muito de abrir mais lojas [próprias], mas a economia internacional está estranha neste momento, com as lojas de rua a serem particularmente afetadas, na Europa principalmente. Temos de ir com calma para não darmos passos maiores do que a perna”, refere Nuno Barra.
Colaborações estratégicas
Além das 14 novas propostas da coleção de sardinhas, atualmente composta por 100 referências, a Bordallo Pinheiro lançou, nos primeiros meses do ano, a coleção de copos Carmen e a de utilitários Couve com Lavagantes, a par de peças desenvolvidas em colaboração com a Santini e a Herdade do Esporão.
Em setembro, chega ao mercado uma criação no âmbito de uma nova parceria, ainda mantida em segredo. “Os novos lançamentos concentram-se sobretudo no período entre janeiro e setembro, para coincidir com as duas grandes feiras [de mobiliário e decoração] de Paris”, justifica o responsável, que também tem em produção novas criações Bordallo Pinheiro em ‘cobranding’ com a Vista Alegre.
“A nossa estratégia de marca passa muito por colaborações que nos abram portas no mercado internacional, como a que temos com a Claudia Schiffer. Todos os anos, lançamos também peças de arte contemporânea, que vão para galerias de arte. Têm um circuito mais exclusivo e mais artístico”, revela Nuno Barra.
Fundada em 1884, a Fábrica de Faianças Artísticas Bordallo Pinheiro já produziu peças idealizadas por artistas como Vhils, Vik Muniz, Joana Vasconcelos, Agatha Ruiz de la Prada, Nini Andrade Silva ou Frida Baranek. Em Portugal, para além da coleção inspirada nas couves, as andorinhas e as sardinhas são os produtos com maior procura. No estrangeiro, a preferência também vai para a coleção do ingrediente principal do caldo verde.
Nos próximos anos, fruto do investimento de Cristiano Ronaldo na empresa, o peso dos mercados internacionais deverá crescer. Em parceria com o futebolista, a Visabeira, que adquiriu 76% da insígnia por €300 mil em 2009, vai criar uma nova empresa para explorar a comercialização da Vista Alegre e da Bordallo Pinheiro no Médio Oriente e na Ásia. A CR7, empresa do jogador, também comprou 30% do capital da Vista Alegre España e 10% do da Vista Alegre Atlantis.

Nuno Barra, administrador da Bordallo Pinheiro